segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Os valores da nossa "élite"
Artigo publicado originalmente no site da Agência Carta Maior:
Eu já escrevi alhures que o Brasil tem uma elite e uma "élite".
Nossa elite é formada por gente como José de Alencar, Machado de Assis, Maria Esther Bueno, Tostão, José Mindlin, Carvalho Pinto, Celso Furtado, Didi, Daiane dos Santos, Maria da Conceição Tavares, Luis Gonzaga Belluzzo, Raymundo Faoro, Antonio Candido, Chico de Oliveira, Abdias do Nascimento, Marilena Chauí, Anita Garibaldi, Sepé Tiaraju, Zumbi, Tiradentes, Maria Quitéria e por aí foi e vai por este Brasil afora e adentro.
Já a nossa "élite"... são aqueles que acham que são a nossa elite. Que detestam abrir a janela e dar com bananeiras ao invés de pinus eliótis. No máximo temos aqueles pinheiros recurvos e tronchos, em forma de taça. Detestam sair à rua e encontrar nosso povo com cara de povo e não uma paisagem de calendário impresso na Suíça.
Mas enfim, é a "élite" que temos.
Assim, imaginei alguns mandamentos para quem queria nela entrar.
1. Use frases como: "se este fosse um país minimamente sério...", "se este fosse um país civilizado...".
2. Não fale alto, mas esteja convencido de que você deve adorar transporte coletivo - na Europa, é claro.
Porque aqui, quanto mais espaço pra carrão importado e menos pra corredor de ônibus, melhor.
3. Despreze tudo o que for nacional. E adore tomar vinho europeu de quinta categoria pagando os tubos na seção de importados.
4. Desenvolva urticária ao ouvir falar em "América Latina", "Mercosul", "Evo Morales", "Hugo Chavez". "América Latina" é coisa do tempo de "poncho e conga", lembra? Sonhe com a Alca, acordos unilaterais com os Estados Unidos, e outras coisas assim elevadas. Quem sabe alguns bairros de S. Paulo e mais algumas ruas selecionadas no país poderiam ser admitidos na União Européia?
5. África, então, dá irisipela. Nem pensar. Governo Lula? Cruzes! Tome Engov.
6. Ache o fim do mundo as sacolas dos sacoleiros que vão ao Paraguai. Bom mesmo é saco de supermercado de Miami.
7. Só freqüente restaurante que não sirva caipirinha de pinga. Caipirinha, só caipiroska, mesmo que a vodka seja de oitava categoria.
8. Considere que "corrupção" é coisa de e para pobre. Se for nordestino e tiver a pele escura, melhor ainda. Tem até pesquisa acadêmica corroborando isso...
9. Suspire nostalgicamente pelo tempo em que empregada doméstica só podia pegar o elevador de serviço.
10. Não leia a Carta Maior. Nem o Correio da Cidadania. Nem a Revista do Brasil. Ou a Carta Capital. Ou o Brasil de Fato. Ou qualquer coisa semelhante. Se ler, é para desancar, chamar de chapa branca pra baixo. Imprensa, só a grande. Mesmo que esteja cada vez mais marrom.
E boa sorte. Inclua-nos fora disso, e aproxime-se pra lá.Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.
Postado por Oni Presente
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Movimento dos Sem-Mídia
Não foram poucas as vezes, na história da República, em que a imprensa brasileira, conservadora e elitista, derrubou governos que não atendiam aos ditames da aristocracia. Foi assim com Getúlio Vargas, com Juscelino Kubitschek e com Jango Goulart. A grande imprensa, controlada por meia dúzia de famílias "tradicionais", atirou este país numa ditadura de 21 anos, colaborando com um regime criminoso que censurou, estuprou, torturou e assassinou tantos brasileiros por conta de suas idéias.
A imprensa de São Paulo, controlada pelas famílias Frias, Mesquita e Civita, e a do Rio, controlada pela família Marinho, mandam e desmandam neste país há décadas incontáveis. Sempre elegeram e derrubaram os governantes que quiseram. São, portanto, responsáveis, em grande parte, pelos problemas terríveis que assolam este país.
Mais uma vez, esses portadores de tanta dor, de tanto sofrimento deste povo engajaram-se na mesma tentativa de controlar corações e mentes dos brasileiros. Porém, de 2002 para cá, fracassaram duas vezes ao menos no que tange a Presidência da República. Inconformados, os barões da mídia persistem e persistem na tentativa desesperada de controlarem a vontade política dos brasileiros. Desta vez, seus "protegidos" são o PSDB e o PFL (agora travestido de DEM), e seu inimigo, o PT.
Não importa que dia for, pode-se comprar jornais ou assistir telejornais que a opinião dos barões da mídia estará lá sobrepondo-se a qualquer outra, calando o contraditório e tentando manipular consciências. Quem diverge, é tratado como se não existisse.
Este é um país continental. Quem não tem acesso aos grandes meios de comunicação, é como se não existisse. Os jornais, revistas, telejornais são abertos só a quem concorda com eles. Quando muito, concedem um espaço de mentira, diminuto, àqueles que discordam, para que possam usar isso como álibi quando acusados de calar divergências. Essa prática da grande imprensa criou um gigantesco setor da sociedade que já está sendo chamado de Sem-Mídia.
Se você é um sem-mídia, se não consegue ver seus pontos de vista contemplados nos meios de comunicação e está farto de engolir a opinião monocórdica dos barões da mídia paulista e carioca, compareça no dia 15 de setembro (sábado) ao prédio da Folha de São Paulo às 10:00 hs. Por iniciativa do blog Cidadania.com (http://edu.guim.blog.uol.com.br), haverá uma manifestação pacífica na qual sem-mídia da capital paulista e de várias partes do país farão as queixas que os meios de comunicação fingem que não escutam na porta de um dos maiores entre eles. No fim do ato, será lido e assinado um manifesto e entregue na portaria do jornal.
O endereço da Folha é :Alameda Barão de Limeira nº 425 - São Paulo - SP.
Chega de reclamar e ser ignorado. É preciso mostrar que existimos. Compareça e traga quem você puder. Se quiser mais informações, acesse o blog Cidadania.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
O inferno é exotérmico ou endotérmico?
Uma questão discursiva a fim de que o estudante justificasse a resposta escolhida.
O aluno Tim Graham, que tirou a melhor nota da turma, escreveu o seguinte:
"Primeiramente, postulamos que se almas existem, então elas devem ter alguma massa. Se elas têm, um mol de almas também tem massa. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Eu acho que podemos assumir, seguramente, que uma vez que uma alma entra no inferno ela nunca mais sai. Por isso não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo, hoje em dia. Em geral, uma religião dessas prega que, se você não pertencer a ela, você vai para o inferno. Como há muitas religiões assim e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. E, com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora, vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções:
1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir.
2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno congele.
Então, qual das duas?
Se nós aceitarmos o que a Theresa Manyam me disse no primeiro ano: " O inferno irá congelar antes de eu me deitar com você" e, levando-se em conta que ainda NÃO obtive sucesso na tentativa de transar com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Portanto, o inferno é exotérmico.

"Lembrete:
Endotérmico - o meio que recebe calor do exterior.
Exotérmico - o meio que fornece calor ao exterior.
blogdopg.blogspot.com/
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
"O homem que rouba dos demais ao receber propina, que mata com substâncias adulterantes em vez de um porrete, assalta com lucros ilícitos em vez de uma gazua (...) não sente na fronte a marca do malfeito (...) Como um gigante envergonhado e impotente, o público reconhece o pequeno contraventor ostensivo mais do que o grande bandido oculto".( www.fazendomedia.com/)
domingo, 26 de agosto de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Ato pela educação
ATO PELA EDUCAÇÃO PÁRA CENTRO DO RIO
Manifestantes levaram mais de duas horas para fazerem o percurso e mostrarem as demandas à população
Por Raquel Junia - raquel@fazendomedia.com
"Educação como Prática da Liberdade"
Do alto do carro de som, diversas frentes do movimento estudantil mais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) falavam em ampliação do investimento em educação pública e em uma aliança campesina-estudantil. No ato do dia 22 de agosto, quarta-feira, cerca de 600 pessoas saíram da Igreja da Candelária e foram até o prédio do Ministério da Educação (MEC), no Centro do Rio de Janeiro. No percurso, uma parada em frente ao prédio da Companhia Vale do Rio Doce para exigir a reestatização da empresa.
A atividade fez parte da Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública, que no Rio de Janeiro, também contou com outras atividades. No dia 20 de agosto, o MST ocupou o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E, no dia 21, o movimento se dirigiu ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) com reivindicações ao órgão também referentes à educação. Até o dia 24 de agosto, outras atividades estão previstas em vários estados.
"A ocupação do IFCS foi uma forma de questionar a função da universidade na sociedade. O conhecimento deve estar a serviço da população", fala Fernanda Matheus, do setor de educação do MST. Segundo ela, estudantes e professores da URFJ ajudaram a construir o processo de ocupação da universidade.
70 assentamentos no Rio e apenas 10 escolas
Esse foi o dado mencionado por Fernanda sobre a dificuldade de acesso à educação das crianças que fazem parte do movimento. A audiência com o Incra no dia 21 teve como tema o repasse de verbas federais para a educação. O MST pede que o dinheiro disponível para a construção de escolas rurais seja repassado ao Incra e não aos governos estaduais ou municipais.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
A Vale é nossa
Para dar continuidade ao processo de construção do Poder Popular em nosso país, os movimentos populares, entidades sindicais e religiosas, articulados na Assembléia Popular, resolveram convocar e organizar o Plebiscito Nacional sobre a Privatização da Companhia Vale do Rio Doce.Este Plebiscito tem como objetivos:
1) Abrir espaço para a população brasileira manifestar-se acerca deste estratégico patrimônio da Nação ao capital financeiro nacional e internacional;
2) Retomar a luta pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce;
3) Abrir debate nacional do caráter do Estado brasileiro e do destino para nosso país, definindo com mais clareza o nosso Projeto Popular para o Brasil.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) "vendeu" a CVRD por apenas R$ 3,3 bilhões. Curiosamente a avaliação dos auditores privados e do próprio Governo davam a Vale um preço de R$ 93 bilhões, ainda assim um valor muito abaixo do real. Só para se ter uma idéia do crime, em 1996, um ano anos da venda, o lucro, só o lucro oficial da CVRD foi R$ 13,4 bilhões. Não é valor de patrimônio. É só lucro. E mais: três meses depois da venda por R$ 3,3 bilhões, o lucro da Vale já era superior aos R$ 4 bilhões. O Governo FHC deu a CVRD um território de exploração de minério superior ao tamanho do Estado do Rio Grande do Sul.A companhia, na época da venda, já era a maior produtora de ferro do mundo e a segunda maior mineradora do planeta em variedade de minérios. A Vale possui as maiores minas de ouro de toda América Latina. Ela também tem enormes reservas de Urano, que a lei diz que o seu uso deve ser da União. A CVRD detém quase toda malha ferroviária do País. Isto é, este transporte está quase totalmente privatizado. A empresa controla ainda 54 grandes empresas que abrangem portos e navios graneleiros. Hoje, avalia-se que seu patrimônio supera os R$ 200 bilhões e possui um lucro anual superior aos R$ 70 bilhões. Imagine isso investido de verdade em educação, saúde, segurança, etc...
Questões pendentes - Existem várias questões jurídicas pendentes. São mais de 100 ações populares que ainda tramitam contra a "venda" da Vale. Uma delas, prova que uma das empresas que participou da avaliação da CVRD para colocá-la a venda é hoje uma das principais controladoras da companhia, o que é proibido por lei. Uma vergonha! E tem mais: quase 70% do lucro da Vale, isto é, os dividendos construídos em cima dos minérios desta terra, do nosso povo, estão nas mãos dos controladores privados estrangeiros da CVRD, ou seja, quase nada fica aqui.
Em 1996, antes de ser dada pelo Governo FHC, a Vale investiu US$ 16 milhões em infra-estrutura, creches, escolas, hospitais, rodovias, distritos industriais e recuperação do patrimônio histórico. Dez anos depois, o município de Parauapebas/PA, onde fica a principal base da CRVD, é um bolsão de miséria em cima de minas de ouro e outros minérios. Claro: os lucro da Vale privatizada enriquecem os acionistas, principalmente, estrangeiros que investem na bolsa de valores nos EUA e na Ásia.
Postado por Oni Presente
Faz-me rir
México: EUA ou Colômbia?
A análise é de Emir Sader. agenciacartamaior.com.br
