por Miguel Nicolelis
Em sua coluna de estréia em CartaCapital , o cientista Miguel Nicolelis aponta que a região Nordeste tem tudo para virar a nossa Califórnia. Não poderia ser melhor e mais geográfica.
Para a maioria dos brasileiros, principalmente aqueles que vivem no Sul e Sudeste, qualquer menção ao sertão nordestino imediatamente evoca tradicionais imagens de destituição, miséria, abandono e atraso. Invariavelmente, essas amargas lembranças servem apenas para reforçar a opinião de que uma realidade tão implacável e inóspita jamais se renderá a qualquer política pública ou iniciativa privada que vise ao desenvolvimento da região. Assim, dentro desse estereótipo nacional, nada é capaz de prosperar diante do sol escaldante, o solo seco e os desolados jardins de cactos que dominam a paisagem da Caatinga.
Essa visão fatalista ignora que o sertão nordestino há séculos serve de palco para o desenrolar de um grande épico de sobrevivência, construído dia a dia pela ingenuidade natural e obstinação de todas as formas de vida que lá habitam. Formada por uma vegetação altamente adaptada à falta crônica de água, ornada por uma flora típica e própria, a Caatinga há muito deixou de ser considerada, ao menos em termos botânicos, como uma simples degeneração da Mata Atlântica. Na realidade, trata-se de um dos biomas mais especializados do mundo, parte integral e única do extraordinário patrimônio natural brasileiro.
Todavia, diferentemente da floresta amazônica, do Pantanal, e até mesmo do Cerrado, a Caatinga ainda não encontrou seu espaço próprio na consciência nacional, que vira-e-mexe prefere rejeitá-la, como se fosse uma filha a quem se nega paternidade, nome e pensão.
O fascínio que atrai milhares de brasileiros a visitar as inúmeras e exuberantes praias do Nordeste esvai-se em segundos quando o sertão é mencionado como uma nova provável fronteira de desenvolvimento que começa a se desenhar no horizonte futuro do País. Improvável, respondem de imediato os mais gentis e cautelosos. Impossível, bradam os chamados realistas. Inimaginável, decretam os fatalistas. O que pode crescer e prosperar nesses infindáveis e desolados jardins de cactos, perguntam todos em coro?
Durante uma viagem de alguns dias por muitos recantos extraordinários do interior da Paraíba e do Rio Grande do Norte, encontrei a resposta para esta pergunta. E ela não poderia ser mais singela e simples. São flores, muitas flores, que brotam desses jardins de cactos, outrora abandonados pelo ocaso predito, para colorir a paisagem desse sertão com matizes de esperança e sonho.
E é a partir dessas ainda frágeis florescências, tão inesperadas quanto belas, que desabrocha a concreta sensação, para quem o visita, de que o destino do Nordeste brasileiro, dado como natimorto inviável, pode se transformar numa inesperada fronteira de desenvolvimento e progresso, com repercussões significativas para todo o Brasil e o mundo. Em bom português, para quem tem olhos e quer ver, o Nordeste pode e tem tudo para se transformar na nossa Califórnia.
Os primeiros sinais do que está por vir podem ser obtidos no interior paraibano, nas primeiras plantações experimentais do pinhão-manso (Jatropha curcas), uma planta oleaginosa que cresce nos tabuleiros do sertão, muito bem adaptada à falta d’água crônica. Num futuro próximo, essa e outras culturas, valendo-se do casamento da moderna biotecnologia com uma nova agricultura do Semi-Árido, podem transformar as terras do sertão na maior usina de biocombustível do mundo. E, no processo, revolucionar o desenvolvimento econômico e social da região.
Exemplos como esse proliferam pelo sertão. Somado ao acesso à tecnologia, tem provocado mudanças no cotidiano dos habitantes. É como conta Gustavo, estudante de um vilarejo chamado Residência, no Rio Grande do Norte. Primeiro, diz ele, chegou a água, depois a eletricidade. Daí chegaram as antenas parabólicas e a televisão. Por isso, do Brasil ele sabe tudo e para tudo tem uma opinião. Dos problemas do tráfego aéreo à criminalidade das grandes cidades, Gustavo está a par da agenda nacional. Para o menino, o sertão está muito bom e só tende a melhorar. Assentindo em silêncio, procurei gravar cada detalhe daquela florada humana desabrochando, ali, no lugar onde poucos imaginaram que cacto também desse flor.
Clique aqui para saber um pouquinho mais sobre esse cientista brasileiro e aqui para saber um pouco do que ele pensa.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Cotas ameaçadas
A Justiça Federal suspendeu o sistema de cotas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo o juiz federal Gustavo Dias de Barcellos – atendendo a uma ação civil pública do Ministério Público Federal – as cotas ferem o princípio da igualdade.
Segundo matéria da “Folha”, 2.862 alunos foram classificados por notas, 819 por serem da rede pública e 323 por serem negros.
O juiz deu a liminar rebatendo o critério racial: “A ciência contemporânea aponta de forma unânime que o ser humano não é dividido em raças”.
Quais as lições a serem aprendidas dessa história.
Primeiro, que há um conceito fundamental em direito, de que não se podem tratar de forma igual os desiguais. Esse é o princípio básico da igualdade – não o de tratar todos de forma semelhante. Mas, por conta da ênfase racista nas cotas, criou-se o álibi para tentar derrubá-la na Justiça.
Tem que haver uma uniformização do discurso sobre cotas em cima dos ensinamentos e dos estudos da Unicamp.
A Universidade pesquisou seus alunos são constatou:
1. Os alunos da rede pública tem classificação pior nos vestibulares, por conta da diferença de formação com os da rede privada. Mas em pouco tempo tiram a diferença – porque têm mais garra, devido ao seu histórico de vida.
2. Por outro lado, não se pode tirar a meritocracia dos vestibulares – que são uma forma democrática de acesso à Universidade, desde que observadas as diferenças dos desiguais.
3. O correto, então, é estimar estatisticamente quantos pontos de vantagem seriam necessários para compensar a deficiência de formação da escola pública, sem comprometer o desenvolvimento do aluno depois de aprovado. Assim, os que vêm da escola pública ganham alguns pontos adicionais na hora de computar os resultados do vestibular.
4. Os alunos considerados negros recebem um adicionalzinho a mais, nada que interfira substancialmente no resultado.
Como conseqüência, aumentou bastante o número de alunos de escola pública que concorreram e passaram nos vestibulares da Unicamp. Simplesmente porque o anúncio das cotas lhes permitiu acreditar mais nas suas possibilidades de passar no vestibular.
Luis Nassif www.projetobr.com.br/web/blog/5
Segundo matéria da “Folha”, 2.862 alunos foram classificados por notas, 819 por serem da rede pública e 323 por serem negros.
O juiz deu a liminar rebatendo o critério racial: “A ciência contemporânea aponta de forma unânime que o ser humano não é dividido em raças”.
Quais as lições a serem aprendidas dessa história.
Primeiro, que há um conceito fundamental em direito, de que não se podem tratar de forma igual os desiguais. Esse é o princípio básico da igualdade – não o de tratar todos de forma semelhante. Mas, por conta da ênfase racista nas cotas, criou-se o álibi para tentar derrubá-la na Justiça.
Tem que haver uma uniformização do discurso sobre cotas em cima dos ensinamentos e dos estudos da Unicamp.
A Universidade pesquisou seus alunos são constatou:
1. Os alunos da rede pública tem classificação pior nos vestibulares, por conta da diferença de formação com os da rede privada. Mas em pouco tempo tiram a diferença – porque têm mais garra, devido ao seu histórico de vida.
2. Por outro lado, não se pode tirar a meritocracia dos vestibulares – que são uma forma democrática de acesso à Universidade, desde que observadas as diferenças dos desiguais.
3. O correto, então, é estimar estatisticamente quantos pontos de vantagem seriam necessários para compensar a deficiência de formação da escola pública, sem comprometer o desenvolvimento do aluno depois de aprovado. Assim, os que vêm da escola pública ganham alguns pontos adicionais na hora de computar os resultados do vestibular.
4. Os alunos considerados negros recebem um adicionalzinho a mais, nada que interfira substancialmente no resultado.
Como conseqüência, aumentou bastante o número de alunos de escola pública que concorreram e passaram nos vestibulares da Unicamp. Simplesmente porque o anúncio das cotas lhes permitiu acreditar mais nas suas possibilidades de passar no vestibular.
Luis Nassif www.projetobr.com.br/web/blog/5
domingo, 23 de dezembro de 2007
O Filho do Homem
Vinicius de Moraes
O mundo parou
A estrela morreu
No fundo da treva
O infante nasceu.
Nasceu num estábulo
Pequeno e singelo
Com boi e charrua
Com foice e martelo.
Ao lado do infante
O homem e a mulher
Uma tal Maria
Um José qualquer.
A noite o fez negro
Fogo o avermelhou
A aurora nascente
Todo o amarelou.
O dia o fez branco
Branco como a luz
À falta de um nome
Chamou-se Jesus.
Jesus pequenino
Filho natural
Ergue-te, menino
É triste o Natal.
Natal de 1947
O poema acima foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 215.
O mundo parou
A estrela morreu
No fundo da treva
O infante nasceu.
Nasceu num estábulo
Pequeno e singelo
Com boi e charrua
Com foice e martelo.
Ao lado do infante
O homem e a mulher
Uma tal Maria
Um José qualquer.
A noite o fez negro
Fogo o avermelhou
A aurora nascente
Todo o amarelou.
O dia o fez branco
Branco como a luz
À falta de um nome
Chamou-se Jesus.
Jesus pequenino
Filho natural
Ergue-te, menino
É triste o Natal.
Natal de 1947
O poema acima foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 215.
Jingle Bell prá vocês
Mário Prata
Não gosto do Natal. Não chego a odiar mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para "simbolizar" a neve. Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade.
Além de não gostar do Natal, em alguns aspectos, ele chega a ser irritante: Em vários aspectos. Senão, vejamos:
— Quer coisa mais irritante durante o mês de dezembro do que ir a um barzinho ou restaurante, de noite, para tomar um chopinho e ter, ao seu lado, aos gritos, berros e urros, uma "festinha da firma", com risos histéricos, discursos profundos e etílicos do "chefe", gozações com a "gostosa" da firma e a indefectível troca de "amigos secretos?" Por que gritam tanto nas "festinhas da firma?" E quando você vai ao banheiro sempre tem um ou dois funcionários burocraticamente vomitando. Como se vomita no Natal! Principalmente os bancários.
— E o "amigo secreto" então? Já notaram que sempre sai para quem não é nem muito amigo e muito menos muito secreto? E você passa o mês inteiro tendo que imaginar o que vai dar praquele chato. Se o "amigo secreto" já é uma relação constrangedora na firma, em família então, nem se fala. Em primeiro lugar, porque dois ou três dias depois do "sorteio", todo mundo já sabe quem é o amigo de quem. Você já sabe pra quem vai dar e de quem vai receber. Essas informações sempre vazam no seio familiar. Sempre tem uma irmã que sabe de todos, ninguém sabe como. E você que torceu para não sair aquela prima fofoqueira, pois é justamente com ela que você vai se abraçar logo mais. E dizer todas aquelas frases. Todas, são insubstituíveis.
— E as propagandas de Natal? Existe coisa mais horrível que este bando de gordos com brancas barbas, puxados por veadinhos? A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o "espírito natalino" nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1.994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais "criativos", que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro.
— E aqueles Papais Noéis que vão de casa em casa e os pais obrigam as criancinhas a dar beijo naquele sujeito imenso, barba descolada, sapatão de militar, já meio bêbado depois de passar em várias casas de amigos e parentes? As criancinhas esperneiam, não dormem semanas seguidas, sonhando com aquele monstro que o pai fez beijar. Meu Deus, é um outro pai que eu tenho?, devem pensar os pequenininhos da família. E o monstro ainda diz "coisas" para os indefesos, presos nos braços do pai ou da mãe, quiçá da avó: este ano, não vai fazer malcriação, vai comer toda a papinha, não vai mentir e nem fazer xixi na cama, viu, Rony? Coitados.
— Mas o pior mesmo é a ceia, propriamente dita. Com o passar dos anos, a família vai crescendo e de repente já são quatro gerações que estão ali, de olho no peru. Umas 50 pessoas. E ali dá de tudo. Cunhados que não se falam, a velhinha que não escuta os planos do asilo, o fulano que está falido, coitado, a prima que está dando para um sobrinho, aquele casal que está separado mas que, no Natal, baixa o "espírito" e eles comparecem juntos. Todo mundo sabe que se odeiam. Mas é Natal. Aquele tio que deve tanto para o seu irmão também está lá. Mas é Natal. E a irmã que não pagou a trombada que ela deu com o carro do tio-avô? Tudo é permitido. Afinal, é Natal. Nasceu quem mesmo? Jesus, não foi? E, por isso, à meia-noite, todos dão as mãos e rezam (des)unidos.
— E, para terminar: existe música mais chata que Jingle Bell?
Já o Reveillon, é o maior barato. É quando tomamos o porre para tirar e esquecer a ressaca do Natal. Mas não adianta. No ano que vem, tem outro Natal.
Texto extraído do livro "100 Crônicas", Cartaz Editorial - São Paulo, 1997. pág. 148.
Não gosto do Natal. Não chego a odiar mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para "simbolizar" a neve. Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade.
Além de não gostar do Natal, em alguns aspectos, ele chega a ser irritante: Em vários aspectos. Senão, vejamos:
— Quer coisa mais irritante durante o mês de dezembro do que ir a um barzinho ou restaurante, de noite, para tomar um chopinho e ter, ao seu lado, aos gritos, berros e urros, uma "festinha da firma", com risos histéricos, discursos profundos e etílicos do "chefe", gozações com a "gostosa" da firma e a indefectível troca de "amigos secretos?" Por que gritam tanto nas "festinhas da firma?" E quando você vai ao banheiro sempre tem um ou dois funcionários burocraticamente vomitando. Como se vomita no Natal! Principalmente os bancários.
— E o "amigo secreto" então? Já notaram que sempre sai para quem não é nem muito amigo e muito menos muito secreto? E você passa o mês inteiro tendo que imaginar o que vai dar praquele chato. Se o "amigo secreto" já é uma relação constrangedora na firma, em família então, nem se fala. Em primeiro lugar, porque dois ou três dias depois do "sorteio", todo mundo já sabe quem é o amigo de quem. Você já sabe pra quem vai dar e de quem vai receber. Essas informações sempre vazam no seio familiar. Sempre tem uma irmã que sabe de todos, ninguém sabe como. E você que torceu para não sair aquela prima fofoqueira, pois é justamente com ela que você vai se abraçar logo mais. E dizer todas aquelas frases. Todas, são insubstituíveis.
— E as propagandas de Natal? Existe coisa mais horrível que este bando de gordos com brancas barbas, puxados por veadinhos? A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o "espírito natalino" nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1.994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais "criativos", que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro.
— E aqueles Papais Noéis que vão de casa em casa e os pais obrigam as criancinhas a dar beijo naquele sujeito imenso, barba descolada, sapatão de militar, já meio bêbado depois de passar em várias casas de amigos e parentes? As criancinhas esperneiam, não dormem semanas seguidas, sonhando com aquele monstro que o pai fez beijar. Meu Deus, é um outro pai que eu tenho?, devem pensar os pequenininhos da família. E o monstro ainda diz "coisas" para os indefesos, presos nos braços do pai ou da mãe, quiçá da avó: este ano, não vai fazer malcriação, vai comer toda a papinha, não vai mentir e nem fazer xixi na cama, viu, Rony? Coitados.
— Mas o pior mesmo é a ceia, propriamente dita. Com o passar dos anos, a família vai crescendo e de repente já são quatro gerações que estão ali, de olho no peru. Umas 50 pessoas. E ali dá de tudo. Cunhados que não se falam, a velhinha que não escuta os planos do asilo, o fulano que está falido, coitado, a prima que está dando para um sobrinho, aquele casal que está separado mas que, no Natal, baixa o "espírito" e eles comparecem juntos. Todo mundo sabe que se odeiam. Mas é Natal. Aquele tio que deve tanto para o seu irmão também está lá. Mas é Natal. E a irmã que não pagou a trombada que ela deu com o carro do tio-avô? Tudo é permitido. Afinal, é Natal. Nasceu quem mesmo? Jesus, não foi? E, por isso, à meia-noite, todos dão as mãos e rezam (des)unidos.
— E, para terminar: existe música mais chata que Jingle Bell?
Já o Reveillon, é o maior barato. É quando tomamos o porre para tirar e esquecer a ressaca do Natal. Mas não adianta. No ano que vem, tem outro Natal.
Texto extraído do livro "100 Crônicas", Cartaz Editorial - São Paulo, 1997. pág. 148.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Aprovação de Lula, segundo Ibope

Clique na imagem acima para ver mais de perto, com alguns dados da pesquisa CNI/Ibope divulgada esta semana. É interessante analisar isso mais atentamente porque desfaz alguns mitos muito difundidos por colunistas conservadores. Por exemplo, reparem que Lula tem aprovação de 55% das pessoas com ensino superior completo ou mais, contra 45% que não o aprovam e 5% que não se definiram.
Reparem ainda que, entre os que possuem o ensino médio completo, 63% aprovam o governo Lula, contra 32% que não o aprovam.
Outro dado importante é que, entre os mais ricos, que ganham mais de 10 salários mínimos, Lula tem aprovação de 46%, contra 50% que não o aprovam e 4% que preferiram não responder a pergunta.
Outro dado importante é que, entre os mais ricos, que ganham mais de 10 salários mínimos, Lula tem aprovação de 46%, contra 50% que não o aprovam e 4% que preferiram não responder a pergunta.
Os números mostram, portanto, que o apoio à Lula não vem somente de pessoas sem instrução e descamisados. Pessoas com segundo grau completo e formadas em universidades também emprestam seu apoio ao líder metalúrgico.
Entretanto, não podemos cair na esparrela preconceituosa do conservadorismo vulgar e menosprezar a aprovação esmagadora que Lula tem junto à classe média média, média baixa e os mais pobres. Reparem que desde as pessoas que ganham menos de 1 salário mínimo até aqueles que ganham 10 salários mínimos, a aprovação é superior a 60%, com uma escala crescente entre os mais pobres. Ou seja, desde quem não ganha nada até quem ganha R$ 4.000 por mês, o que deve significar 95% ou mais da população brasileira, Lula tem uma aprovação superior a 60%, chegando a 71% entre os mais pobres, e isso no sexto ano de seu mandato, quando a sociedade já teve tempo de avaliar meticulosamente as qualidades e defeitos de Lula.
Outro número interessante é que a faixa etária onde Lula tem mais apoio é a de 30 a 39 anos, o auge da vida profissional, sexual, existencial. Esses jovens tiveram tempo de viver os tempos fernandinos, e comparar. De resto, Lula tem ampla aprovação em todas as faixas etárias.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Gritos e sussurros
Postado por Luiz Weis no Observatório da Imprensa
No domingo, 28 de outubro, sob o título “Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre” a Folha publicou:
“O ex-interno da Febem Anderson Marcos Batista, 25, preso acusado de extorquir o padre Júlio Lancelotti, 58, afirmou à polícia que sustentou por oito anos relação homossexual com o religioso em troca de dinheiro.”
Hoje, sob o título “Detento recua e nega relação íntima com padre”, a Folha publica:
“O detento Marcos José de Lima, suspeito de ter extorquido o padre Júlio Lancelotti, 58, foi interrogado ontem pela Polícia Civil e negou ter mantido relação íntima com o religioso em troca de dinheiro, como disse à Justiça.”
Os nomes dos presos não são a única diferença entre os dois textos. A mais importante é que o primeiro saiu na metade superior da primeira página. O segundo, no canto inferior direito de uma página interna do jornal – com um título bem menor.
Nada de novo na mídia: as acusações saem aos gritos; os desmentidos, aos sussurros.
Os acusados – e os leitores – que se lixem.
http://www.projetobr.com.br/
No domingo, 28 de outubro, sob o título “Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre” a Folha publicou:
“O ex-interno da Febem Anderson Marcos Batista, 25, preso acusado de extorquir o padre Júlio Lancelotti, 58, afirmou à polícia que sustentou por oito anos relação homossexual com o religioso em troca de dinheiro.”
Hoje, sob o título “Detento recua e nega relação íntima com padre”, a Folha publica:
“O detento Marcos José de Lima, suspeito de ter extorquido o padre Júlio Lancelotti, 58, foi interrogado ontem pela Polícia Civil e negou ter mantido relação íntima com o religioso em troca de dinheiro, como disse à Justiça.”
Os nomes dos presos não são a única diferença entre os dois textos. A mais importante é que o primeiro saiu na metade superior da primeira página. O segundo, no canto inferior direito de uma página interna do jornal – com um título bem menor.
Nada de novo na mídia: as acusações saem aos gritos; os desmentidos, aos sussurros.
Os acusados – e os leitores – que se lixem.
http://www.projetobr.com.br/
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
CPMF: Quem quer tirar o leite das crianças
Paulo Henrique Amorim
. Guarde bem esses nomes:
--DEM--
Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA)
Ademir Santana (DEM-MA)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Efraim Moraes (DEM-PB)
Eliseu Rezende (DEM-MG)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Jonas Pinheiro (DEM-MT)
José Agripino (DEM-RN)
Kátia Abreu (DEM-TO)
Jaime Campos (DEM-MT)
Marco Maciel (DEM-PE)
Maria do Carmo Alves (DEM-PE)
Raimundo Colombo (DEM-SC)
Rosalba Ciarlini (DEM-RN)
- - PSDB - -
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Marisa Joaquina Monteiro Serrano (PSDB-MS)
Sérgio Guerra (PSDB-PE) - clique aqui para ler que o presidente do PSDB não sabe o que dizer de FHC
Mário Couto Filho (PSDB-PA)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
João Tenório (PSDB-AL)
Marconi Ferreira Perillo Júnior (PSDB-GO)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
--PMDB--
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
. Preste atenção ao rosto deles e delas – vá à galeria do Conversa Afiada (clique aqui).
. Esses senadores participaram da reunião de ontem, terça-feira, dia 27, em que a oposição decidiu ir “para cima”: votar logo a CPMF porque já tem os votos necessários para evitar a prorrogação.
. Esse grupo aí em cima é o “núcleo duro” da não-prorrogação, sob a liderança de Arthur Virgilio (PSDB) e Agripino Maia (DEM).
. Como demonstra a entrevista do Ministro Patrus Ananias, a CPMF, além de ser aplicada na área de saúde, fornece 87% dos recursos do Bolsa Família.
. (Clique aqui para ler que a CPMF entra com 87% (!!!) dos recursos do Bolsa Família)
. Vejam bem: 87% do Bolsa Família saem da CPMF.
. Além disso, há dinheiro da CPMF na agricultura familiar, em construção de cisternas na região da seca nordestina, e na compra de comida para crianças – o “leite das crianças”.
. Quer dizer, a CPMF vai direto ao centro do Brasil mais pobre.
. Esse Brasil que ainda precisa ter “índice de desenvolvimento humano” efetivamente alto.
. É o dinheiro da CPMF, associado, por exemplo, ao aumento real do salário mínimo e do aumento real dos salários – como demonstra o professor Ricardo Paes e Barros do IPEA (clique aqui para ir ao site do IPEA) - que permite reduzir a desigualdade de renda no Brasil.
. O que querem esses que querem tirar o “leite das crianças” ?
- O que querem esses senhores e senhoras dessa lista acima exposta ?
. Não os move nenhuma idéia nobre.
. Eles não têm alternativa a propor.
. Eles não sabem o que dizer, como provou o último Congresso do PSDB, que vai entrar para os anais da história política brasileira como o Congresso em que Fernando Henrique Cardoso deixou a máscara cair e se mostrou inteiro: preconceituoso e racista (clique aqui para ler).
. Eles querem tirar “o leite das crianças”, porque querem empobrecer os pobres e impedir que os pobres continuem a associar seu progresso às políticas sociais do Governo Lula.
. E que essas políticas e seu sucesso se transmitam ao candidato que o Presidente Lula escolher para sucedê-lo.
. É uma esperteza eleitoral, apenas.
. Vai além do imediatismo fiscal do movimento “Cansei” e da pregação do presidente da FIESP, que estão mesmo é interessados em acabar com esse maldito imposto que combate o Caixa Dois, o “bahani”, o “São Nicolau”, o “Sem Nota” do Law Kin Chong.
. Esses senhores e senhoras:
. Esses senhores e senhoras aí de cima não engolem que o Presidente Lula – como Cristina Fernández de Kirchner – tenha sido eleito, sobretudo, pelos pobres.
. Os conservadores não podem tolerar isso.
. Que o Brasil, como a Argentina, tenha, de novo, um “pai dos pobres”.
. Já que não é possível fazer com que ele dê um tiro no peito, é melhor impedir a prorrogação da CPMF.
. “Tirar o leite das crianças” não passa de manobra eleitoral revestida de ideologia liberal.
. O que não se entende é o que um homem público com o passado de Jarbas Vasconcellos, que todos os jornalistas da minha geração aprenderam a admirar e a respeitar, esteja a fazer nesta lista.
. Ao lado de Arthur Virgilio, Heráclito Fortes, Eduardo Azeredo ...
. O Conversa Afiada deve ter cometido um equivoco que pretende corrigir o mais rápido possível.
conversa-afiada.ig.com.br
. Guarde bem esses nomes:
--DEM--
Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA)
Ademir Santana (DEM-MA)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Efraim Moraes (DEM-PB)
Eliseu Rezende (DEM-MG)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Jonas Pinheiro (DEM-MT)
José Agripino (DEM-RN)
Kátia Abreu (DEM-TO)
Jaime Campos (DEM-MT)
Marco Maciel (DEM-PE)
Maria do Carmo Alves (DEM-PE)
Raimundo Colombo (DEM-SC)
Rosalba Ciarlini (DEM-RN)
- - PSDB - -
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Marisa Joaquina Monteiro Serrano (PSDB-MS)
Sérgio Guerra (PSDB-PE) - clique aqui para ler que o presidente do PSDB não sabe o que dizer de FHC
Mário Couto Filho (PSDB-PA)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
João Tenório (PSDB-AL)
Marconi Ferreira Perillo Júnior (PSDB-GO)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
--PMDB--
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
. Preste atenção ao rosto deles e delas – vá à galeria do Conversa Afiada (clique aqui).
. Esses senadores participaram da reunião de ontem, terça-feira, dia 27, em que a oposição decidiu ir “para cima”: votar logo a CPMF porque já tem os votos necessários para evitar a prorrogação.
. Esse grupo aí em cima é o “núcleo duro” da não-prorrogação, sob a liderança de Arthur Virgilio (PSDB) e Agripino Maia (DEM).
. Como demonstra a entrevista do Ministro Patrus Ananias, a CPMF, além de ser aplicada na área de saúde, fornece 87% dos recursos do Bolsa Família.
. (Clique aqui para ler que a CPMF entra com 87% (!!!) dos recursos do Bolsa Família)
. Vejam bem: 87% do Bolsa Família saem da CPMF.
. Além disso, há dinheiro da CPMF na agricultura familiar, em construção de cisternas na região da seca nordestina, e na compra de comida para crianças – o “leite das crianças”.
. Quer dizer, a CPMF vai direto ao centro do Brasil mais pobre.
. Esse Brasil que ainda precisa ter “índice de desenvolvimento humano” efetivamente alto.
. É o dinheiro da CPMF, associado, por exemplo, ao aumento real do salário mínimo e do aumento real dos salários – como demonstra o professor Ricardo Paes e Barros do IPEA (clique aqui para ir ao site do IPEA) - que permite reduzir a desigualdade de renda no Brasil.
. O que querem esses que querem tirar o “leite das crianças” ?
- O que querem esses senhores e senhoras dessa lista acima exposta ?
. Não os move nenhuma idéia nobre.
. Eles não têm alternativa a propor.
. Eles não sabem o que dizer, como provou o último Congresso do PSDB, que vai entrar para os anais da história política brasileira como o Congresso em que Fernando Henrique Cardoso deixou a máscara cair e se mostrou inteiro: preconceituoso e racista (clique aqui para ler).
. Eles querem tirar “o leite das crianças”, porque querem empobrecer os pobres e impedir que os pobres continuem a associar seu progresso às políticas sociais do Governo Lula.
. E que essas políticas e seu sucesso se transmitam ao candidato que o Presidente Lula escolher para sucedê-lo.
. É uma esperteza eleitoral, apenas.
. Vai além do imediatismo fiscal do movimento “Cansei” e da pregação do presidente da FIESP, que estão mesmo é interessados em acabar com esse maldito imposto que combate o Caixa Dois, o “bahani”, o “São Nicolau”, o “Sem Nota” do Law Kin Chong.
. Esses senhores e senhoras:
. Esses senhores e senhoras aí de cima não engolem que o Presidente Lula – como Cristina Fernández de Kirchner – tenha sido eleito, sobretudo, pelos pobres.
. Os conservadores não podem tolerar isso.
. Que o Brasil, como a Argentina, tenha, de novo, um “pai dos pobres”.
. Já que não é possível fazer com que ele dê um tiro no peito, é melhor impedir a prorrogação da CPMF.
. “Tirar o leite das crianças” não passa de manobra eleitoral revestida de ideologia liberal.
. O que não se entende é o que um homem público com o passado de Jarbas Vasconcellos, que todos os jornalistas da minha geração aprenderam a admirar e a respeitar, esteja a fazer nesta lista.
. Ao lado de Arthur Virgilio, Heráclito Fortes, Eduardo Azeredo ...
. O Conversa Afiada deve ter cometido um equivoco que pretende corrigir o mais rápido possível.
conversa-afiada.ig.com.br
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Brasil toma as rédeas da América Latina com petróleo, diz 'El País'

Reportagem publicada neste domingo pelo diário espanhol El País afirma que a descoberta de novas reservas de gás e petróleo no Brasil o fizeram “tomar as rédeas da América Latina”, permitindo ao país “reafirmar seu papel de potência regional e se afastar de (Hugo) Chávez e (Evo) Morales”. “Nem o petróleo da Venezuela nem o gás da Bolívia. Com dois anúncios quase simultâneos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva colocou o Brasil como a principal potência energética da América Latina no médio prazo tanto na visão de seus vizinhos quanto nos investimentos internacionais”, afirma o jornal.
Segundo a reportagem, esses dois anúncios se referem à descoberta do novo campo de Tupi, na Bacia de Santos, e à retirada do Brasil de um projeto conjunto de gás na Venezuela. O jornal afirma que “o Brasil nunca escondeu que considera a América do Sul sua área de influência estratégica, e os acontecimentos ocorridos nos últimos dois anos em torno de projetos populistas em países da região, como Venezuela e Bolívia, haviam soado os alarmes no Executivo e na diplomacia brasileira”.
Dependência energética - O artigo argumenta que essa preocupação não vinha tanto pelo caráter político dos governos dos dois países, mas sim pela “dependência energética em que estava se afundando”. “Por isso não é de se estranhar que nesta semana Lula declarasse eufórico que ‘está comprovado que Deus é brasileiro’ ao comentar a descoberta das reservas de petróleo que não somente consagram a já conseguida, em 2006, auto-suficiência petrolífera do país, como o convertem em um exportador em potencial”, diz o jornal.
A reportagem conclui dizendo que a nova condição brasileira e a retirada da Petrobras de um projeto de extração de gás considerado importante para a construção do gasoduto da América do Sul, proposto por Chávez, podem levar a atritos nas relações entre os dois países. “O governo de Lula é amistoso em suas formas com seu homólogo venezuelano, mas a ninguém se escapa que ambos perseguem o objetivo de se converter em referência energética regional e estão em rumo de colisão, que cedo ou tarde ocorrerá”, afirma o jornal. “Lula e Chávez têm prevista uma reunião em dezembro, em uma cúpula trimestral ordinária, para tratar de energia. Lula chegará ao encontro em uma posição muito diferente e de muito mais força que no passado”, finaliza o texto.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
A volúpia jaboriana
Arnaldo Jabor é um hábil manipulador das palavras. Para ser um bom escritor, no entanto, é preciso caráter. Seja um escritor de ficção, seja um escritor de política. Jabor inventou uma ideologia, o lulo-sindicalismo, termo que usa e abusa como um selo criminal colado em todo problema brasileiro. Tem um bueiro vazando na Visconde de Pirajá? A culpa é do "lulo-sindicalismo". Com isso, Jabor criminaliza Lula, eleito duas vezes com mais de 60 milhões de votos, e os sindicatos, que representam a única força política capaz de se contrapor aos interesses anti-trabalhistas. Antes de Lula, dizia-se que não se podia aumentar o salário mínimo sem causar uma grande onda de desemprego. Por conta desse mito, os governos anteriores, especialmente o de Fernando Henrique Cardoso, permitiu a corrosão da renda do salário mínimo sem que Arnaldo Jabor visse nisso algum problema. Fome, salários baixos, miséria?
Para Jabor, fatores como aumento do salário mínimo, aumento do emprego formal, melhora da distribuição de renda, não significam muita coisa. Existe um grande mal no ar, uma terrível depressão, um desalento. Estamos anestesiados, diz Jabor. Impotentes. Que importa se só agora a Polícia Federal trabalha de verdade? Que importa se Lula reformou profundamente a PF, contratando milhares de novos policiais, por concurso, injetando verba e entusiasmo na instituição, que por conta disso está conseguindo realmente fazer a diferença na guerra contra a corrupção? Não importa. Não importa. Não importa. A corrupção continua aí e estamos de mãos atadas. "O governo Lula tem o álibi de ser um governo do povo", explica Jabor. "O discurso oficial ideológico é um sarapatel de idéias". Que frase feia, meu Deus. Tudo bem, continuemos. Jabor diz que o tal discurso é "cepa herdada (resistente a antibióticos) de um autoritarismo leninista, que cruzou com os germes do sindicalismo oportunista", etc, etc. Peraí, onde tem autoritarismo no discurso do governo? E o novo sindicalismo brasileiro, se tem seus defeitos, como qualquer instituição tem, ele tem o mérito de ser um dos mais modernos no mundo, com financiamentos oriundos de fundos de pensão e impostos específicos.
Jabor, assim como FHC, é uma cassandra à procura de uma catástrofe para anunciar. O colunista do Globo "culpa" o bom estado da economia brasileira por nosso alienamento. Como as coisas estão indo bem, estamos nos deixando levar pelo lulismo, quando o certo é que nos organizássemos para combatê-lo. Que importa se as massas estão satisfeitas? Ora, as massas. As massas que se fodam! O que Jabor omite, no entanto, é que a economia brasileira não apenas vai bem, como reúne circunstâncias e fatores positivos que nunca reuniu antes: um crescimento continuado, com distribuição de renda, aumento da capacidade produtiva, ampliação da base energética, com aumento da renda do trabalhador e da oferta de emprego formal.
Gostaria de compreender, portanto, o que deprime tanto Jabor. Será que ele não lê o caderno de economia do próprio jornal onde escreve? A própria Miriam Leitão, sempre tão pessimista, escreveu uma coluna, no domingo passado (se não me engano), citando os reiterados elogios que o diretor do Fundo Monetário Internacional faz ao governo Lula. Não me importo com o que diz o FMI, mas a Miriam Leitão, o Globo e o Jabor deveriam se importar. Hoje o Brasil não deve mais nada ao FMI, portanto as sugestões do FMI podem voltar a ser apreciadas com serenidade, como críticas positivas ou negativas a serem ouvidas e avaliadas de acordo com sua pertinência.
Jabor fala hoje em "bolsa-cabresto", referindo-se obviamente à bolsa família, omitindo estudos de renomadas instituições nacionais e internacionais sobre a validade e eficácia da política assistencial do atual governo, que está sendo inclusive copiada para aplicação em outros países, mesmo aqueles governados por forças conservadoras.
No exterior, Lula é respeitado pelas forças conservadoras e pela esquerda. Aqui, parte de nossa imprensa insiste em sucumbir a este obscuro "malaise" metafísico, obsessivamente produzido e reproduzido por colunistas como Arnaldo Jabor, e que definitivamente não corresponde à realidade da maioria da população, pobres ou ricos. Talvez haja realmente algum grupo de ricaços enfarados, empoadas madames que enviam emails de amor ao ex-cineasta, o mesmo grupo que tentou se articular no Movimento Cansei, aquele cujo organizador, Jorge Doria, liderava passeatas de cãozinhos de luxo em Campos de Jordão. São os extremistas da desilusão. O Brasil pode estar com sua economia bombando, ter encontrado petróleo suficiente para mais um século, ser escolhido para Copa do Mundo 2014, comércio exterior recorde, etc, etc, mas eles estarão sempre lamentando a miséria brasileira. O Brasil descobriu o mega-campo Tupi e nenhum jornal fez caderno especial analisando as perspectivas políticas, econômicas, sociais, geopolíticas que se abrem para o Brasil.
oleododiabo.blogspot.com
Para Jabor, fatores como aumento do salário mínimo, aumento do emprego formal, melhora da distribuição de renda, não significam muita coisa. Existe um grande mal no ar, uma terrível depressão, um desalento. Estamos anestesiados, diz Jabor. Impotentes. Que importa se só agora a Polícia Federal trabalha de verdade? Que importa se Lula reformou profundamente a PF, contratando milhares de novos policiais, por concurso, injetando verba e entusiasmo na instituição, que por conta disso está conseguindo realmente fazer a diferença na guerra contra a corrupção? Não importa. Não importa. Não importa. A corrupção continua aí e estamos de mãos atadas. "O governo Lula tem o álibi de ser um governo do povo", explica Jabor. "O discurso oficial ideológico é um sarapatel de idéias". Que frase feia, meu Deus. Tudo bem, continuemos. Jabor diz que o tal discurso é "cepa herdada (resistente a antibióticos) de um autoritarismo leninista, que cruzou com os germes do sindicalismo oportunista", etc, etc. Peraí, onde tem autoritarismo no discurso do governo? E o novo sindicalismo brasileiro, se tem seus defeitos, como qualquer instituição tem, ele tem o mérito de ser um dos mais modernos no mundo, com financiamentos oriundos de fundos de pensão e impostos específicos.
Jabor, assim como FHC, é uma cassandra à procura de uma catástrofe para anunciar. O colunista do Globo "culpa" o bom estado da economia brasileira por nosso alienamento. Como as coisas estão indo bem, estamos nos deixando levar pelo lulismo, quando o certo é que nos organizássemos para combatê-lo. Que importa se as massas estão satisfeitas? Ora, as massas. As massas que se fodam! O que Jabor omite, no entanto, é que a economia brasileira não apenas vai bem, como reúne circunstâncias e fatores positivos que nunca reuniu antes: um crescimento continuado, com distribuição de renda, aumento da capacidade produtiva, ampliação da base energética, com aumento da renda do trabalhador e da oferta de emprego formal.
Gostaria de compreender, portanto, o que deprime tanto Jabor. Será que ele não lê o caderno de economia do próprio jornal onde escreve? A própria Miriam Leitão, sempre tão pessimista, escreveu uma coluna, no domingo passado (se não me engano), citando os reiterados elogios que o diretor do Fundo Monetário Internacional faz ao governo Lula. Não me importo com o que diz o FMI, mas a Miriam Leitão, o Globo e o Jabor deveriam se importar. Hoje o Brasil não deve mais nada ao FMI, portanto as sugestões do FMI podem voltar a ser apreciadas com serenidade, como críticas positivas ou negativas a serem ouvidas e avaliadas de acordo com sua pertinência.
Jabor fala hoje em "bolsa-cabresto", referindo-se obviamente à bolsa família, omitindo estudos de renomadas instituições nacionais e internacionais sobre a validade e eficácia da política assistencial do atual governo, que está sendo inclusive copiada para aplicação em outros países, mesmo aqueles governados por forças conservadoras.
No exterior, Lula é respeitado pelas forças conservadoras e pela esquerda. Aqui, parte de nossa imprensa insiste em sucumbir a este obscuro "malaise" metafísico, obsessivamente produzido e reproduzido por colunistas como Arnaldo Jabor, e que definitivamente não corresponde à realidade da maioria da população, pobres ou ricos. Talvez haja realmente algum grupo de ricaços enfarados, empoadas madames que enviam emails de amor ao ex-cineasta, o mesmo grupo que tentou se articular no Movimento Cansei, aquele cujo organizador, Jorge Doria, liderava passeatas de cãozinhos de luxo em Campos de Jordão. São os extremistas da desilusão. O Brasil pode estar com sua economia bombando, ter encontrado petróleo suficiente para mais um século, ser escolhido para Copa do Mundo 2014, comércio exterior recorde, etc, etc, mas eles estarão sempre lamentando a miséria brasileira. O Brasil descobriu o mega-campo Tupi e nenhum jornal fez caderno especial analisando as perspectivas políticas, econômicas, sociais, geopolíticas que se abrem para o Brasil.
oleododiabo.blogspot.com
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
O Brasil se converteu em potência

Reportagem diz que o Brasil "é o país da América Latina que mais recebeu investimentos estrangeiros no ano passado, suas reservas crescem, bate recordes em exportações, baixa o risco país, será a sede da Copa de 2014, e, se faltava algo, acaba de descobrir uma megarreserva de ouro negro".
E continua o La Nación:
O Brasil é a décima economia mundial.
Eles( Brasil) têm mais de 200 milhões de cabeças de gado, enquanto nós ainda estamos ancorados nos anos 60 milhões de anos 70.
Hoje, 40% do mercado de carne em todo o mundo é gerido por empresas brasileiras.
Foi o oitavo mercado bolsista mundial, em volume, o que nos últimos 5 anos cresceu 1600% no primeiro semestre de 2007 atingiu 10% das partes globalmente.
Suas exportações elevaram - se a 137000 milhões de dólares, mais do dobro do que há quatro anos.
Na década de 40, todo o PIB da América Latina combinados, incluindo a do Brasil, foi o mesmo que na Argentina, o Brasil hoje é quatro vezes maior do que a nossa.
Quando vamos ler notícia como essa na imprensa Brasileira? Enquanto esperamos por esse dia, você pode ler o texto completo do Jornal La Nación aqui
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