A cidade de Divinópolis terá um novo espaço cultural. Será no Mercado Municipal. Um projeto prevê a realização de exposições e apresentações artísticas. A idéia é revitalizar o local e torná-lo um espaço alternativo de arte e cultura para a cidade. Começa hoje à tarde, a partir das 16h, com o lançamento do primeiro CD de Pedro Flora. Além de várias apresentações musicais ficará em exposição nesse final de semana as fotografias de Evandro Araújo e pinturas de frei Handag, cujas peças foram tombadas pelo patrimônio do município.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
MST propõe criação de agrovilas
A proposta de reforma agrária que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende discutir com o governo federal e com a sociedade brasileira prevê a criação de agrovilas: a implementação de micro-cidades em assentamentos rurais com uma infra-estrutura que permita a interação entre homem, trabalho e meio ambiente.Segundo Maria de Fátima Ribeiro, da coordenação nacional do MST, as agrovilas representam a possibilidade de fixar os jovens no campo. O projeto foi desenvolvido por arquitetos, a partir de parcerias entre o movimento e universidades. "A idéia é massificar, dar moradia ao homem do campo, permitindo que a juventude não precise se mudar para os centros urbanos".
Ribeiro diz que as agrovilas funcionariam como pequenas cidades com infra-estrutura básica, como saneamento, posto médico, escola, etc. Além disso, haveria espaço para esporte, lazer e atividades culturais. A construção das casas seria feita em local que permitisse uma ligação direta com as áreas de cultivo, respeitando a vegetação e as fontes de água.
As ações coletivas serviriam para integrar a comunidade nas agrovilas. “A idéia é incentivar formas de cooperação, como mutirões, criação de associações e cooperativas, e realizar programas de lazer, cultura e esporte”. De acordo com ela, algumas agrovilas já foram construídas no Nordeste. “Essas experiências têm se mostrado um sucesso”.(Fonte http://www.pt.org.br/)
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Miséria dos pobres - O egoísmo dos ricos

Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva.Escrito por Flávio Aguiar - da Carta Maior.
Passei um mês fora do Brasil, e me esqueci, por causa daquelas correrias, de pedir a transferência dos jornais entregues por assinatura para o endereço de uma das minhas filhas. Resultado: como a faxineira que freqüenta minha casa é muito diligente e respeitadora, lá estavam eles – os jornais – convenientemente empilhados, aliás, gigantescamente empilhados. O folhear daquela pilha passadiça me confirmou a impressão que eu tivera pela internet. Os deserdados do segundo turno de outubro de 2006 continuam na ativa – ainda que deserdados, é verdade. Não há o que fazer, para eles, a não ser CPIs, e procurar ataques à probidade do presidente. Não há programas a apresentar, idéias a debater. Só a moral do presidente interessa, e só a do presidente e de seus arredores.
Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva, irmão mais velho do mandatário da nação. Esse personagem chama-se Vavá. Vavá está em toda a parte, Vavá é o band-aid da falta de assunto, Vavá é imorredouro, Vavá é tudo e é nada, é lobista e é ingênuo, é um vírus e é o inocente-útil, é falastrão e é calado, tudo depende da manchete e da notícia. Vavá é melhor do que Roberto Jefferson: ao contrário deste, Vavá quase nada parece ter a dizer. Então pode se lhe atribuir tudo. Vavá ligou para o presidente. O outro irmão do presidente ligou para Vavá. Aliás, não se sabe se foi propriamente o irmão, só se sabe ao certo que o telefonema partiu de um telefone da família, e que provavelmente a voz em questão deve ser desse outro irmão.
É uma novela de suposições. Provas, investigação jornalística, muito pouco há. Há ilações a partir de fragmentos de relatórios e inquéritos, de conjeturas e suposições. Mas de tudo se pode tirar uma conclusão segura. O que interessa mesmo é mostrar como Vavá (o personagem, do irmão de Lula, pelo noticiário, pouco sei), esse Vavá, é canhestro, é desajeitado, como ele parece ter feito lobby sem saber fazer lobby. Lobby, afinal, é coisa de gente fina. Pobre faz lobby? Não, responde esse noticiário grotesco. Pobre pede. É diferente. A conclusão dessa leitura acumulada é uma só: é nisso que dá por alguém “do povo” no Palácio do Planalto. É que nem casamento: os noivos não casam só um com a outra, ou com o outro, ou uma com a outra, nestes novos tempos (felizmente) mais abertos que o Brasil vive; os noivos casam com as respectivas famílias também. E vejam no que dá fazer a família de pobre (e petista ainda por cima!) chegar à rampa do Palácio. Dá lobby? Não, não só. Dá ridículo, dá vergonha, é isto que o noticiário exala. Pobre é desajeitado, quando fala se lambuza de palavras e de poder, vejam só!
Enquanto isso, o país vai melhor. Em muitas coisas, em outras não, é claro. A economia vai melhor, o povo vai melhor, muito melhor do que nunca esteve, pelo menos desde os tempos dos finados doutores Getúlio e Juscelino. O dólar baixa, o poder aquisitivo cresce, as famílias tem mais dinheiro para gastar (há economistas preocupadíssimos com isso), o euro nunca esteve tão baixo em relação ao real, a economia se aquece aqui e ali, ou seja, há um país inteiro a decifrar: que pauta! Mas as esfinges do nosso jornalismo ímpares só têm uma pergunta a se fazer: como impedir daqui para frente que o povo possa imaginar que um deles – ou mesmo um que governe em nome deles, por eles e para eles – possa permanecer impune, imune, no Palácio do Planalto. Flávio Aguiar é editor-chefe da Carta Maior.
A Grande Mídia quer ver o país na miséria. Ela é a grande culpada pelas "crises" no país. Meia dúzia de empresários da imprensa quer dominar os destinos da nação brasileira.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Brasil entre os melhores
Com o PIB e renda maiores, país chega ao primeiro mundo na área social.
Reportagem do Terra Magazine, publicada hoje, destaca que o Brasil já entrou no seleto grupo dos 63 países com "alto desenvolvimento humano". Isto ocorre em função da melhora do índice do PIB brasileiro e da renda per capita, como também do avanço dos programas sociais como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo (hoje em 200 dólares)e do continuado avanço na universalização da educação básica.
Com a criação de quase 5 milhões de novos empregos formais, a renda dos mais pobres cresceu e ampliou o acesso a alimentos e remédios, dando um impacto direto no aumento da longevidade(estimativa do número de anos que vão viver, em média, as pessoas nascidas em um determinado ano), que segundo o IBGE é de 71,9 anos.
O IDH é uma espécie de nota de zero a um, que avalia a qualidade de vida em 177 países, com base nos critérios de renda, escolaridade e longevidade da população.
O cálculo do IDH é um dos mellhores parâmetros de avaliação da eficácia das políticas públicas. Ele mostra que o Brasil está avançando. Se a miséria não foi eliminada, é cada vez menor seu peso relativo no conjunto da sociedade.
Reportagem do Terra Magazine, publicada hoje, destaca que o Brasil já entrou no seleto grupo dos 63 países com "alto desenvolvimento humano". Isto ocorre em função da melhora do índice do PIB brasileiro e da renda per capita, como também do avanço dos programas sociais como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo (hoje em 200 dólares)e do continuado avanço na universalização da educação básica.
Com a criação de quase 5 milhões de novos empregos formais, a renda dos mais pobres cresceu e ampliou o acesso a alimentos e remédios, dando um impacto direto no aumento da longevidade(estimativa do número de anos que vão viver, em média, as pessoas nascidas em um determinado ano), que segundo o IBGE é de 71,9 anos.
O IDH é uma espécie de nota de zero a um, que avalia a qualidade de vida em 177 países, com base nos critérios de renda, escolaridade e longevidade da população.
O cálculo do IDH é um dos mellhores parâmetros de avaliação da eficácia das políticas públicas. Ele mostra que o Brasil está avançando. Se a miséria não foi eliminada, é cada vez menor seu peso relativo no conjunto da sociedade.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Combatendo o trabalho infantil

Hoje, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, começará a veicular na televisão, nas rádios e nos jornais uma campanha para ajudar a identificar a situação de trabalho infantil e denunciar.
Segundo o IBGE, no Brasil, cerca de 3 milhões de crianças e jovens de até 16 anos trabalham. É um número muito elevado considerando que a Constituição Federal proíbe qualquer tipo de trabalho para menores de 16 anos, exceto como aprendizes a partir dos 14 anos. Na maioria das vezes, trata-se de meninas obrigadas a lavar, passar e cozinhar ou cuidar de crianças menores do que elas.
A sociedade também é responsável pela erradicação do trabalho infantil. Mudar essa cultura depende da vigilância, depende da disposição das pessoas de denunciar, sair do individualismo e de fato ter uma participação cidadã, coletiva.
No Brasil existe o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) onde são atendidas 872 mil crianças. O PETI paga à família R$ 40 por cada criança que deixe de trabalhar e volte aos estudos. A criança também deve participar de uma atividade no horário em que não estuda, a chamada jornada ampliada. Os municípios recebem ainda R$ 20 por criança para ajudar no projeto. Se a família estiver cadastrada no programa Bolsa Família, o valor sobe para R$ 95.
A denúncia de trabalho infantil deve ser feita pelo telefone 0800-707-2003 aos conselhos tutelares, conselhos da Criança e do Adolescente, conselhos de assistência social, à própria escola, a uma unidade básica de saúde, aos agentes do programa Saúde da Família, ou ao Ministério Público.
Alguns mitos da cultura brasileira
"Criança no trabalho é melhor do que nas ruas". “Criança trabalhando não está na marginalidade”. São alguns dos mitos comuns na cultura brasileira. É importante salientar que apenas 3% das crianças que começam a trabalhar entre cinco e onze anos conseguem alcançar o ensino médio. E apenas 12% dos jovens entre 12 e 15 anos que entram precocemente no mercado de trabalho chegam a esse mesmo ensino médio. Sabemos que se a pessoa não estuda e não se profissionaliza adequadamente, não tem condições de competir no mercado de trabalho, cada vez mais exigente.
Criança tem o direito de estudar, brincar, praticar esportes, participar de eventos culturais. Isso não pode ser apenas artigos de luxo para uma pequena parcela da sociedade. É necessário o país investir em escolas bem equipadas em tempo integral para atender a todos que dela precisam. Vamos lutar por isso.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
G-8: dúvida sobre o resultado
G-8: Vitória dos manifestantes, dúvida sobre o resultado
Uma coisa é certa, independentemente do fracasso ou do sucesso dos resultados da reunião oficial do G-8: esse encontro em Heiligendamm propiciou o reforço do movimento altermundista na Alemanha.
ROSTOCK (Alemanha) - Nesta sexta-feira, 8 de junho, sob forte calor, começou o último dia de trabalho da reunião do G-8, a cúpula que reúne anualmente os sete países mais industrializados do mundo (EUA, Reino Unido, Franca, Japão, Canadá, Itália, a anfitriã Alemanha) e a Rússia.
Na parte da manhã a reunião inaugurou o encontro do G-8 com o agora chamado G-5, o grupo de países especialmente convidado para esta rodada: Brasil, África do Sul, China, Índia e México. O presidente Bush não esteve presente na abertura da reunião, por volta das 10h30 da manhã, devido a um leve mal-estar estomacal, segundo porta-voz da presidência. Mas pela uma da tarde ele já estava presente à reunião.
Na pauta da reunião de sexta-feira, como na maior parte dos encontros de quarta e quinta-feira, está o complexo tema de como deter o aquecimento global e que tipo de compromisso obter entre essas e outras nações.
Os Estados Unidos trouxeram, como novidade, uma declaração do presidente Bush de que o país trabalharia na direção de um acordo paralelo ao Protocolo de Quioto, mas sem compromissos ou metas claramente definidos. Depois de uma semana em que manifestou pessimismo, a primeira-ministra alemã Angela Merkel manifestou ter obtido uma vitória parcial, fazendo (com pressão também do primeiro-ministro britânico Tony Blair) com que o presidente Bush se manifestasse pelo menos inclinado a considerar propostas de redução das emissões de gás carbônico na atmosfera. A imprensa conservadora alemã saudou em grandes manchetes essa alegada “vitória” de Merkel. O jornal sensacionalista e conservador Bild chegou a apresentá-la como “Miss Mundo”. Jornais mais à esquerda foram mais céticos, ressaltando que a declaração de propósitos comuns tinha por objetivo muito mais salvar o G-8 do que propriamente o mundo, uma vez que os termos do compromisso obtido são vagos e distantes.
O acordo de princípios fala numa redução de 50% das emissões de gás carbônico em relação aos índices de 1990, até 2050. Mas não há cronograma ainda (embora os chefes de estado tenham declarado que isso é assunto para ministérios do meio ambiente ou órgãos assemelhados). E fica de pé a questão de se esse índice será negociado com os países do G-5, sobretudo com a China, que até o momento vem se mantendo numa posição tão recalcitrante em relação a acordos internacionais nessa área quanto os Estados Unidos.
O acordo também foi criticado pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que reclamou da necessidade dos países mais ricos estabelecerem compromissos mais claros, uma vez que eles foram os maiores responsáveis pela poluição do planeta e ainda são, tendo responsabilidade por 60% das emissões de gás carbônico no mundo. Além disso, ainda em Berlim, antes de chegar a Heilingendamm, local da reunião, o presidente Lula criticou a falta de um cronograma preciso, argumentando que a meta de redução de 50% nas emissões até 2050 pode significar que até 2049 ninguém vai fazer nada.
Por seu lado, o ex-assessor do presidente Bill Clinton e ganhador do prêmio Nobel de economia, Joseph Stiglitz, em entrevista ao Spiegel On-Line, criticou duramente a política de Bush, dizendo-a diretamente responsável pelo aquecimento global e afirmando, além disso, que o presidente norte-americano é refratário a uma “linguagem civil” e precisa ser confrontado com atitudes mais dramáticas do que apenas declarações de princípio.
Numa outra frente, houve uma grande surpresa quando o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu ao presidente Bush a possibilidade de ambos, seu país e os Estados Unidos, construírem uma base militar antimíssil conjunta na República do Azerbaijão, ex-integrante da finada União Soviética. A proposta de Putin surpreendeu a todos num momento em que se falava de um retorno aos tempos da guerra fria, depois de o primeiro-ministro ter feito declarações no passado recente dizendo que os mísseis do seu país poderiam se voltar de novo para a Europa e de o presidente Bush ter reafirmado o compromisso com o governo da República Tcheca e da Polônia no sentido de construir uma rede de radares e bases antimísseis nos dois países.
Bush tentou amenizar as declarações, feitas na véspera da reunião do G-8, dizendo que “o inimigo” não era a Rússia, numa alusão talvez ao Irã ou mais remotamente à Coréia do Norte. Mas a declaração não surtiu efeito nem rompeu o azedume da diplomacia russa diante dessa nova ameaça de bases militares com baterias voltadas para o leste e tão perto de seu país. Ao contrário, o movimento de Putin sinalizou a possibilidade de novas conversações. Disse o primeiro ministro que já há uma base no Azerbaijão, que antes era parte do sistema defensivo da União Soviética, e que ela poderia ser utilizada para a nova instalação conjunta. Como tudo no G-8, não houve um compromisso definido, mas Bush declarou que os analistas norte-americanos iriam considerar a proposta.
Numa terceira frente das discussões multi ou bilaterais, os países do G-8 se comprometeram na quinta-feira a repassar uma ajuda de 60 bilhões de dólares à África. Mas mesmo esse movimento gerou novas dúvidas, pois em 2005 o mesmo grupo de países comprometeu-se com o envio de 25 bilhões de dólares em ajuda ao continente africano, mas apenas um terço dessa quantia foi de fato liberada.
Enquanto isso, as manifestações e protestos continuaram na cidade vizinha de Rostock e nas imediações de Heiligendamm. Na tarde de quinta-feira 80 mil manifestantes, segundo os organizadores, reuniram-se para um show de rock com estrelas famosas na Alemanha, entre elas o holandês Youssou N´Dour e o compositor e cantor alemão Herbert Grönemeyer, que prometeu fazer duras cobranças em relação às promessas de Angela Merkel de aumentar a ajuda alemã ao continente africano.
Os confrontos entre policiais e manifestantes foram menos dramáticos do que os de sábado (com um saldo de 1000 feridos) ou de segunda-feira, quando foram dominados pelo grupo dos autoproclamados Chaoten, Caóticos, ou Autonomen, Autônomos. Tanto na quarta quanto na quinta-feira os manifestantes bloquearam estradas de acesso a Heiligendamm, e tentaram se aproximar da cerca de 12 km. Que impede o acesso à cidade-balneário onde se realiza o encontro, por vezes marchando e cantando bucolicamente entre trigais quase prontos para a colheita. Houve confrontos em que a polícia chegou a usar jatos de água, gás lacrimogêneo e a efetuar algumas detenções. Mas de um modo geral os manifestantes cantaram vitória, pois a polícia, pateticamente, reconheceu não estar preparada para lidar com protestos pacíficos daquela natureza, e os organizadores da reunião em Heiligendamm reviram seus planos originais, fazendo o pessoal de serviço, de tradutores a copeiros e carregadores de mala, ter acesso ao hotel do encontro através do mar e do uso de barcas. Ainda assim, no mar, dois barcos do Greenpeace conseguiram entrar nas águas próximas do hotel, sendo perseguidos durante dez minutos e finalmente detidos (um deles foi praticamente abalroado) por embarcações da marinha alemã, mas sem maiores conseqüências.
Uma coisa é certa, independentemente do fracasso ou do sucesso dos resultados da reunião oficial do G-8 e daquela com o G-5 e outros países pobres da África também convidados: esse encontro em Heiligendamm propiciou o reforço do movimento altermundista na Alemanha. Num primeiro momento os protestos ameaçaram perder seu conteúdo político em favor de uma idéia do confronto pelo confronto, imposta pela ação tão dramática quanto destituída de propostas explícitas dos Chaoten. Embora, seja necessário reconhecer, a ação dos Chaoten não seja destituída de significado político – tema para uma futura matéria. Mas na medida em que os protestos e o encontro avançou, o sentido político de contestar que os destinos do mundo sejam decididos num clube tão pequeno e tão desprovido de compromissos concretos com o resto do mundo ao longo de sua história.
Por: Flávio Aguiar – Enviado especial -Agência Carta Maior
Uma coisa é certa, independentemente do fracasso ou do sucesso dos resultados da reunião oficial do G-8: esse encontro em Heiligendamm propiciou o reforço do movimento altermundista na Alemanha.
ROSTOCK (Alemanha) - Nesta sexta-feira, 8 de junho, sob forte calor, começou o último dia de trabalho da reunião do G-8, a cúpula que reúne anualmente os sete países mais industrializados do mundo (EUA, Reino Unido, Franca, Japão, Canadá, Itália, a anfitriã Alemanha) e a Rússia.
Na parte da manhã a reunião inaugurou o encontro do G-8 com o agora chamado G-5, o grupo de países especialmente convidado para esta rodada: Brasil, África do Sul, China, Índia e México. O presidente Bush não esteve presente na abertura da reunião, por volta das 10h30 da manhã, devido a um leve mal-estar estomacal, segundo porta-voz da presidência. Mas pela uma da tarde ele já estava presente à reunião.
Na pauta da reunião de sexta-feira, como na maior parte dos encontros de quarta e quinta-feira, está o complexo tema de como deter o aquecimento global e que tipo de compromisso obter entre essas e outras nações.
Os Estados Unidos trouxeram, como novidade, uma declaração do presidente Bush de que o país trabalharia na direção de um acordo paralelo ao Protocolo de Quioto, mas sem compromissos ou metas claramente definidos. Depois de uma semana em que manifestou pessimismo, a primeira-ministra alemã Angela Merkel manifestou ter obtido uma vitória parcial, fazendo (com pressão também do primeiro-ministro britânico Tony Blair) com que o presidente Bush se manifestasse pelo menos inclinado a considerar propostas de redução das emissões de gás carbônico na atmosfera. A imprensa conservadora alemã saudou em grandes manchetes essa alegada “vitória” de Merkel. O jornal sensacionalista e conservador Bild chegou a apresentá-la como “Miss Mundo”. Jornais mais à esquerda foram mais céticos, ressaltando que a declaração de propósitos comuns tinha por objetivo muito mais salvar o G-8 do que propriamente o mundo, uma vez que os termos do compromisso obtido são vagos e distantes.
O acordo de princípios fala numa redução de 50% das emissões de gás carbônico em relação aos índices de 1990, até 2050. Mas não há cronograma ainda (embora os chefes de estado tenham declarado que isso é assunto para ministérios do meio ambiente ou órgãos assemelhados). E fica de pé a questão de se esse índice será negociado com os países do G-5, sobretudo com a China, que até o momento vem se mantendo numa posição tão recalcitrante em relação a acordos internacionais nessa área quanto os Estados Unidos.
O acordo também foi criticado pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que reclamou da necessidade dos países mais ricos estabelecerem compromissos mais claros, uma vez que eles foram os maiores responsáveis pela poluição do planeta e ainda são, tendo responsabilidade por 60% das emissões de gás carbônico no mundo. Além disso, ainda em Berlim, antes de chegar a Heilingendamm, local da reunião, o presidente Lula criticou a falta de um cronograma preciso, argumentando que a meta de redução de 50% nas emissões até 2050 pode significar que até 2049 ninguém vai fazer nada.
Por seu lado, o ex-assessor do presidente Bill Clinton e ganhador do prêmio Nobel de economia, Joseph Stiglitz, em entrevista ao Spiegel On-Line, criticou duramente a política de Bush, dizendo-a diretamente responsável pelo aquecimento global e afirmando, além disso, que o presidente norte-americano é refratário a uma “linguagem civil” e precisa ser confrontado com atitudes mais dramáticas do que apenas declarações de princípio.
Numa outra frente, houve uma grande surpresa quando o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu ao presidente Bush a possibilidade de ambos, seu país e os Estados Unidos, construírem uma base militar antimíssil conjunta na República do Azerbaijão, ex-integrante da finada União Soviética. A proposta de Putin surpreendeu a todos num momento em que se falava de um retorno aos tempos da guerra fria, depois de o primeiro-ministro ter feito declarações no passado recente dizendo que os mísseis do seu país poderiam se voltar de novo para a Europa e de o presidente Bush ter reafirmado o compromisso com o governo da República Tcheca e da Polônia no sentido de construir uma rede de radares e bases antimísseis nos dois países.
Bush tentou amenizar as declarações, feitas na véspera da reunião do G-8, dizendo que “o inimigo” não era a Rússia, numa alusão talvez ao Irã ou mais remotamente à Coréia do Norte. Mas a declaração não surtiu efeito nem rompeu o azedume da diplomacia russa diante dessa nova ameaça de bases militares com baterias voltadas para o leste e tão perto de seu país. Ao contrário, o movimento de Putin sinalizou a possibilidade de novas conversações. Disse o primeiro ministro que já há uma base no Azerbaijão, que antes era parte do sistema defensivo da União Soviética, e que ela poderia ser utilizada para a nova instalação conjunta. Como tudo no G-8, não houve um compromisso definido, mas Bush declarou que os analistas norte-americanos iriam considerar a proposta.
Numa terceira frente das discussões multi ou bilaterais, os países do G-8 se comprometeram na quinta-feira a repassar uma ajuda de 60 bilhões de dólares à África. Mas mesmo esse movimento gerou novas dúvidas, pois em 2005 o mesmo grupo de países comprometeu-se com o envio de 25 bilhões de dólares em ajuda ao continente africano, mas apenas um terço dessa quantia foi de fato liberada.
Enquanto isso, as manifestações e protestos continuaram na cidade vizinha de Rostock e nas imediações de Heiligendamm. Na tarde de quinta-feira 80 mil manifestantes, segundo os organizadores, reuniram-se para um show de rock com estrelas famosas na Alemanha, entre elas o holandês Youssou N´Dour e o compositor e cantor alemão Herbert Grönemeyer, que prometeu fazer duras cobranças em relação às promessas de Angela Merkel de aumentar a ajuda alemã ao continente africano.
Os confrontos entre policiais e manifestantes foram menos dramáticos do que os de sábado (com um saldo de 1000 feridos) ou de segunda-feira, quando foram dominados pelo grupo dos autoproclamados Chaoten, Caóticos, ou Autonomen, Autônomos. Tanto na quarta quanto na quinta-feira os manifestantes bloquearam estradas de acesso a Heiligendamm, e tentaram se aproximar da cerca de 12 km. Que impede o acesso à cidade-balneário onde se realiza o encontro, por vezes marchando e cantando bucolicamente entre trigais quase prontos para a colheita. Houve confrontos em que a polícia chegou a usar jatos de água, gás lacrimogêneo e a efetuar algumas detenções. Mas de um modo geral os manifestantes cantaram vitória, pois a polícia, pateticamente, reconheceu não estar preparada para lidar com protestos pacíficos daquela natureza, e os organizadores da reunião em Heiligendamm reviram seus planos originais, fazendo o pessoal de serviço, de tradutores a copeiros e carregadores de mala, ter acesso ao hotel do encontro através do mar e do uso de barcas. Ainda assim, no mar, dois barcos do Greenpeace conseguiram entrar nas águas próximas do hotel, sendo perseguidos durante dez minutos e finalmente detidos (um deles foi praticamente abalroado) por embarcações da marinha alemã, mas sem maiores conseqüências.
Uma coisa é certa, independentemente do fracasso ou do sucesso dos resultados da reunião oficial do G-8 e daquela com o G-5 e outros países pobres da África também convidados: esse encontro em Heiligendamm propiciou o reforço do movimento altermundista na Alemanha. Num primeiro momento os protestos ameaçaram perder seu conteúdo político em favor de uma idéia do confronto pelo confronto, imposta pela ação tão dramática quanto destituída de propostas explícitas dos Chaoten. Embora, seja necessário reconhecer, a ação dos Chaoten não seja destituída de significado político – tema para uma futura matéria. Mas na medida em que os protestos e o encontro avançou, o sentido político de contestar que os destinos do mundo sejam decididos num clube tão pequeno e tão desprovido de compromissos concretos com o resto do mundo ao longo de sua história.
Por: Flávio Aguiar – Enviado especial -Agência Carta Maior
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