. Os países ricos não querem que a melhor agricultura do mundo entre em seus mercados para beneficiar seus consumidores.
. A soja, o etanol, o suco de laranja, o frango, os suínos, a carne de boi etc, etc, etc do Brasil não podem entrar nos mercados europeu e americano.
. Se pudessem, haveria mais emprego e mais renda no campo brasileiro.
. Se pudessem, seria uma vitória de um princípio básico da economia liberal, uma vitória do livre comércio.
. Numa reunião em Podsdam, na Alemanha, o Brasil se levantou da mesa e foi embora porque os países ricos agem contra o interesse nacional brasileiro e o aumento do emprego e da renda do povo brasileiro.
. E a mídia conservadora (e golpista) prefere reproduzir o Presidente Bush e responsabilizar o Brasil pelo fracasso da reunião.
. Manchete do Estadão: “Países ricos culpam Brasil e índia por fracasso da OMC”.
. Manchete da Folha: “Bush e Europa culpam Brasil por fracasso em negociação comercial”.
. Ou seja, o Estadão e a Folha olham para o Brasil da perspectiva dos países ricos.
. É o que se chama de “cabeça de colonizado”. ( Paulo Henrique Amorim - conversa-afiada.ig.com.br )
sexta-feira, 22 de junho de 2007
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Chávez e a mídia oligárquica
Ao não renovar a concessão da RCTV, Chávez ganhou tempo. Mas o problema maior continua, permanente, que é a vocação golpista da mídia latino-americana e o grande risco que isso representa para a democracia. Essa é nossa agenda.
Bernardo Kucinski
Será mesmo que Chávez cometeu um erro de cálculo ao não renovar a concessão da RTCV, como diz o jornalista Teodoro Petkoff, na sua entrevista a Gilberto Maringoni, nesta Carta Maior? Pode ser. Mas sugiro que se inverta a questão. Que se discuta em primeiro lugar a vocação golpista da mídia latino-americana. E por que isso? Porque não é normal grandes jornais ou emissoras de tevê promoverem golpes para derrubar governos. Já as recaídas autoritárias de governantes fazem parte da normalidade política, mesmo na democracia. Kennedy, por exemplo, impediu o New York Times de revelar os preparativos de invasão de Cuba. Um Chávez mandão é o normal na esfera política. Uma mídia golpista é o patológico na esfera da comunicação jornalística. Essa é a aberração que nos cabe discutir. Essa é a nossa agenda. A mídia golpista prefere, é claro, a agenda “Chávez, o autoritário”.
A grande mídia já foi colaboracionista, como se viu na França durante a ocupação nazista, é quase sempre chauvinista em momentos de guerra, fechou os olhos a violações de direitos humanos por necessidades do imperialismo, como fez o New York Times com as atrocidades dos militares em El Salvador, e como faz a CNN agora no Iraque. Foi leniente com as ditaduras latino-americanas na época da Guerra Fria, mesmo as mais atrozes.A grande mídia levou Nixon à renúncia, no escândalo Watergate. Mas quem estava tramando um golpe ali era Nixon, e não a mídia. Nesse episódio, a mídia americana demonstrou uma notável vocação antigolpista, isso sim. Frustrou uma tentativa de golpe.
A grande mídia Ocidental não articula a derrubada de seus próprios governos, democraticamente eleitos. A grande imprensa Ocidental pode ser em geral conservadora e sem dúvida se constitui no grande mecanismo de domínio pela persuasão. Mas desempenha esse papel de modo contraditório, com altos e baixos, também informa bastante, é critica, e freqüentemente se rebela, passando a exercer uma função contra-hegemônica, como na cobertura da guerra do Vietnã.
Isso de golpe pela mídia só mesmo na América Latina. O conceito nem se aplica à mídia européia ou americana. Mas aconteceu no Chile, em 1973, no Brasil, em 1954, e na Venezuela de Chávez, além de tentativas mal-sucedidas, como o golpe da Globo contra Brizola na eleição para o governo do Rio de Janeiro, e os episódios “paragolpistas” da edição de debate Collor-Lula pela Globo na nossa primeira eleição direta para presidente depois da ditadura.
E por que a grande imprensa latino-americana é golpista? Porque é uma mídia de grandes famílias, originalmente os grandes proprietários de terras. Eles e seus sucessores dominam o aparelho de Estado, definem as políticas públicas, ora repartindo o poder com os bancos, ora com uma incipiente burguesia industrial, mas são sempre eles. Não por acaso, a maior bancada do Congresso Nacional é a bancada ruralista.
Essa elite nutre uma visão de mundo composta por três elementos principais: subserviência ao poder maior, que é o poder dos norte-americanos na região, como forma até mesmo de auto-proteção; 2) resistência a todo e qualquer projeto nacional; 3) desprezo pelo povo. Essa é a burguesia que nos coube na divisão do mundo promovida pelos Europeus durante a expansão mercantil e colonização do Novo Mundo. É a burguesia de uma economia dependente. Atavicamente antinacional e elitista.
Sua imprensa tem função muito mais ideológica do que informativa. Quando surge um governo com propostas de desenvolvimento autônomo e distribuição de renda, faz de tudo para derrubá-lo. Instala-se uma guerra. Primeiro tenta evitar que seja eleito. Daí o forte engajamento nas campanhas eleitorais contra os candidatos nacionalistas ou portadores de propostas transformadoras. Depois parte para o pau em conluio com militares golpistas. Foi assim com Getúlio, Allende. Até Juscelino, que deu um chega-pra-lá no FMI e tinha um projeto de país, foi bombardeado pela grande imprensa. O que ela quer são governos que privatizam, desnacionalizam, entregam, são entreguistas. Não por caso, combate ferozmente a política externa de Lula. Preferem a Alca. Chama isso de realismo político, mas é apenas subserviência. Necessidade de ser dependente. Tem pavor de projetos de autonomia nacional e mais ainda de propostas de unidade latino-americana. Nem o Mercosul engoliram.
Nunca aceitaram o Estado que chamam pejorativamente de “populista”. Isso ficou muito claro na Revolução de 30. Mesmo no bojo dessa revolução que deveria marcar o fim da hegemonia agrário-exportadora, Getúlio aplicou a censura prévia, rígida e abrangente, sobre todos os meios de comunicação e produção artística e cultural, a ainda teve a precaução de cooptar a maior cadeia de rádio e de jornais da época, a dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Não foi o autoritarismo de Getúlio, assim como não é o de Chávez, que geram o antagonismo da mídia oligárquica. É o caráter nacional-desenvolvimentista de seus projetos políticos. Tanto é assim que, quando Getúlio voltou ao poder pelo voto, sofreu intenso bombardeio e, de novo, entendeu que o combate à mídia oligárquica era essencial á sua sobrevivência. Apenas mudou de tática. Estimulou Samuel Wainer a fundar a cadeia Última Hora. O fato é que a grande imprensa tem sido arma recorrente dos golpistas. Usa o pretexto principal da luta contra a corrupção, seduzindo com isso a classe média recalcada, mas seu verdadeiro objetivo tem sido sempre o de derrubar o estado nacional-desenvolvimentista.
Quando toda a região abandona o Consenso de Washington em busca de um novo modelo que alie desenvolvimento com redistribuição de renda, agora com o reforço da unidade continental, a vocação golpista da mídia latino-americana torna-se um dos problemas centrais da democracia.
Chávez deve ter feito esse diagnóstico. E partiu para a guerra. Com as armas que tinha, no contexto atual, dentro das regras do jogo. Dividiu a oligarquia da imprensa, cooptando Cisneros, dono do maior conglomerado de mídia e, não renovando a concessão da RCTV, como que sinalizou aos demais o que lhes pode acontecer se saíram da linha.
Resolveu o seu problema, ou talvez só tenha ganhado tempo. Nós continuamos com o problema maior, permanente, da vocação golpista da mídia latino-americana e o grande risco que isso representa para a democracia. Essa é nossa agenda.
Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000). Carta Maior
Bernardo Kucinski
Será mesmo que Chávez cometeu um erro de cálculo ao não renovar a concessão da RTCV, como diz o jornalista Teodoro Petkoff, na sua entrevista a Gilberto Maringoni, nesta Carta Maior? Pode ser. Mas sugiro que se inverta a questão. Que se discuta em primeiro lugar a vocação golpista da mídia latino-americana. E por que isso? Porque não é normal grandes jornais ou emissoras de tevê promoverem golpes para derrubar governos. Já as recaídas autoritárias de governantes fazem parte da normalidade política, mesmo na democracia. Kennedy, por exemplo, impediu o New York Times de revelar os preparativos de invasão de Cuba. Um Chávez mandão é o normal na esfera política. Uma mídia golpista é o patológico na esfera da comunicação jornalística. Essa é a aberração que nos cabe discutir. Essa é a nossa agenda. A mídia golpista prefere, é claro, a agenda “Chávez, o autoritário”.
A grande mídia já foi colaboracionista, como se viu na França durante a ocupação nazista, é quase sempre chauvinista em momentos de guerra, fechou os olhos a violações de direitos humanos por necessidades do imperialismo, como fez o New York Times com as atrocidades dos militares em El Salvador, e como faz a CNN agora no Iraque. Foi leniente com as ditaduras latino-americanas na época da Guerra Fria, mesmo as mais atrozes.A grande mídia levou Nixon à renúncia, no escândalo Watergate. Mas quem estava tramando um golpe ali era Nixon, e não a mídia. Nesse episódio, a mídia americana demonstrou uma notável vocação antigolpista, isso sim. Frustrou uma tentativa de golpe.
A grande mídia Ocidental não articula a derrubada de seus próprios governos, democraticamente eleitos. A grande imprensa Ocidental pode ser em geral conservadora e sem dúvida se constitui no grande mecanismo de domínio pela persuasão. Mas desempenha esse papel de modo contraditório, com altos e baixos, também informa bastante, é critica, e freqüentemente se rebela, passando a exercer uma função contra-hegemônica, como na cobertura da guerra do Vietnã.
Isso de golpe pela mídia só mesmo na América Latina. O conceito nem se aplica à mídia européia ou americana. Mas aconteceu no Chile, em 1973, no Brasil, em 1954, e na Venezuela de Chávez, além de tentativas mal-sucedidas, como o golpe da Globo contra Brizola na eleição para o governo do Rio de Janeiro, e os episódios “paragolpistas” da edição de debate Collor-Lula pela Globo na nossa primeira eleição direta para presidente depois da ditadura.
E por que a grande imprensa latino-americana é golpista? Porque é uma mídia de grandes famílias, originalmente os grandes proprietários de terras. Eles e seus sucessores dominam o aparelho de Estado, definem as políticas públicas, ora repartindo o poder com os bancos, ora com uma incipiente burguesia industrial, mas são sempre eles. Não por acaso, a maior bancada do Congresso Nacional é a bancada ruralista.
Essa elite nutre uma visão de mundo composta por três elementos principais: subserviência ao poder maior, que é o poder dos norte-americanos na região, como forma até mesmo de auto-proteção; 2) resistência a todo e qualquer projeto nacional; 3) desprezo pelo povo. Essa é a burguesia que nos coube na divisão do mundo promovida pelos Europeus durante a expansão mercantil e colonização do Novo Mundo. É a burguesia de uma economia dependente. Atavicamente antinacional e elitista.
Sua imprensa tem função muito mais ideológica do que informativa. Quando surge um governo com propostas de desenvolvimento autônomo e distribuição de renda, faz de tudo para derrubá-lo. Instala-se uma guerra. Primeiro tenta evitar que seja eleito. Daí o forte engajamento nas campanhas eleitorais contra os candidatos nacionalistas ou portadores de propostas transformadoras. Depois parte para o pau em conluio com militares golpistas. Foi assim com Getúlio, Allende. Até Juscelino, que deu um chega-pra-lá no FMI e tinha um projeto de país, foi bombardeado pela grande imprensa. O que ela quer são governos que privatizam, desnacionalizam, entregam, são entreguistas. Não por caso, combate ferozmente a política externa de Lula. Preferem a Alca. Chama isso de realismo político, mas é apenas subserviência. Necessidade de ser dependente. Tem pavor de projetos de autonomia nacional e mais ainda de propostas de unidade latino-americana. Nem o Mercosul engoliram.
Nunca aceitaram o Estado que chamam pejorativamente de “populista”. Isso ficou muito claro na Revolução de 30. Mesmo no bojo dessa revolução que deveria marcar o fim da hegemonia agrário-exportadora, Getúlio aplicou a censura prévia, rígida e abrangente, sobre todos os meios de comunicação e produção artística e cultural, a ainda teve a precaução de cooptar a maior cadeia de rádio e de jornais da época, a dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Não foi o autoritarismo de Getúlio, assim como não é o de Chávez, que geram o antagonismo da mídia oligárquica. É o caráter nacional-desenvolvimentista de seus projetos políticos. Tanto é assim que, quando Getúlio voltou ao poder pelo voto, sofreu intenso bombardeio e, de novo, entendeu que o combate à mídia oligárquica era essencial á sua sobrevivência. Apenas mudou de tática. Estimulou Samuel Wainer a fundar a cadeia Última Hora. O fato é que a grande imprensa tem sido arma recorrente dos golpistas. Usa o pretexto principal da luta contra a corrupção, seduzindo com isso a classe média recalcada, mas seu verdadeiro objetivo tem sido sempre o de derrubar o estado nacional-desenvolvimentista.
Quando toda a região abandona o Consenso de Washington em busca de um novo modelo que alie desenvolvimento com redistribuição de renda, agora com o reforço da unidade continental, a vocação golpista da mídia latino-americana torna-se um dos problemas centrais da democracia.
Chávez deve ter feito esse diagnóstico. E partiu para a guerra. Com as armas que tinha, no contexto atual, dentro das regras do jogo. Dividiu a oligarquia da imprensa, cooptando Cisneros, dono do maior conglomerado de mídia e, não renovando a concessão da RCTV, como que sinalizou aos demais o que lhes pode acontecer se saíram da linha.
Resolveu o seu problema, ou talvez só tenha ganhado tempo. Nós continuamos com o problema maior, permanente, da vocação golpista da mídia latino-americana e o grande risco que isso representa para a democracia. Essa é nossa agenda.
Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000). Carta Maior
quarta-feira, 20 de junho de 2007
A Bolívia real
O que você lerá neste texto sobre a realidade política, social e institucional boliviana não me foi contado por ninguém. Este relato é fruto de investigação que fiz em viagem de negócios que ora empreendo à Bolívia.
Escrevo de Santa Cruz de la Sierra, quase ao fim de uma viagem de duas semanas. Nos últimos dez dias, aproveitei o tempo livre de que pude dispor para assistir programas de TV sobre política, ler jornais, ouvir pessoas, ir aos bairros pobres da periferia de Santa Cruz (no fim de semana), enfim, aproveitei esta viagem para me aprofundar ao máximo numa questão que chega ao Brasil de forma extremamente deturpada e/ou mutilada em razão dos mesmos interesses obscuros que têm feito com que uma parcela exígua dos bolivianos, a elite, venha dando um show ridículo de burrice, de intolerância e de egoísmo que beiram a bestialidade, por mais branca, instruída e rica que essa elite seja.
A elite, a mídia e o grande empresariado bolivianos estão tentando reproduzir o que seus congêneres venezuelanos vêm fazendo há anos na Venezuela, ou seja, tentam derrubar ou, na pior das hipóteses, paralisar um governo democraticamente eleito e que apenas tenta pôr fim à miséria de dar dó em que vivem índios que constituem a quase totalidade da população boliviana.
Alguns fatos sobre a Bolívia que é preciso saber para bem entender o que se passa aqui. Este é o país mais pobre da América do Sul. Os índios quéchuas, aymarás e outros, mais uma boa parcela de mestiços, constituem uns 90% da população. Destes, outros 90% vivem, em grande parte, na pobreza, e a maior parte, na miséria. Um contingente expressivo dos índios bolivianos ganha cerca de um dólar por dia. A maior parte dos índios não tem rede de esgoto, educação minimamente aceitável e padece de doenças que desapareceram na maioria dos países de civilização média. A maioria indígena está concentrada em cidades da Cordilheira dos Andes como La Paz, Sucre, Cochabamba, Oruro, Potosi etc.
Os habitantes indígenas das cidades do Altiplano (da Cordilheira) são conhecidos como “collas”, e os da planície, da região conhecida como “Media Luna” (constituída por Santa Cruz de la Sierra, Pando, Tarija e Beni), são conhecidos como “cambas”. Há uma rivalidade crescente e explosiva entre “collas” e “cambas”. Eles se odeiam, ainda que muitos indígenas vivam na região da “Media Luna” segregados, sem direitos, oprimidos e odiados. Os “cambas” dividem-se entre uma minoria branca e rica, majoritariamente descendente dos conquistadores espanhóis que não se miscigenaram com os quéchuas, aymarás e outros, e os índios (“collas”) submissos que formam um enorme exército de serviçais dos ricos da região de Santa Cruz. Os “cambas” índios e mestiços, em grande parte, votam e emulam os discursos de seus patrões, mas, muitas vezes, da boca para fora, como mostram os resultados eleitorais das eleições mais recentes, nas quais os “cambas” índios e pobres dividiram-se, pendendo levemente para as posições políticas da elite.
Logo nos primeiros dias aqui em Santa Cruz passei a acompanhar com grande atenção a mídia local. Os grandes canais de TV e o principal jornal da direita branca e rica, tais como as TVs Unitel, do grupo agropecuário Monastérios, Red Uno, do grupo de supermercados Kuljis, Sitel, da cervejaria dos Fernandez, Pat, do grupo dos Daher (distribuidores Sony na Bolívia) e o jornal El Dia. Foi aí que me dei conta de que a América Latina está submetida toda ao mesmo processo, no qual as elites midiáticas dos países da região - todos transbordando de pobreza e desigualdade - tentam, valendo-se do controle que exercem sobre os meios de comunicação, impedir que as grandes massas mestiças, negras e índias, mantidas na ignorância, na pobreza extrema e vivendo em condições indignas, votem em causa própria, elegendo governos comprometidos com a promoção de distribuição de renda e de oportunidades.
Uma digressão : o que vemos fazer a mídia brasileira não chega a ser um décimo do que fazem as mídias de países nos quais foram eleitos governos dispostos a enfrentar as elites e suas mídias com maior decisão. São países como Bolívia, Venezuela, Equador etc, os quais venho visitando há mais de uma década. Porém, assim mesmo, posso garantir que o Brasil está trilhando o mesmo caminho que eles. Só que, devido a ser um país muito mais complexo e devido ao fato de que Lula parece ter optado por uma transformação mais lenta e contemporizadora, a mídia brasileira, por incrível que possa parecer, porta-se com maior comedimento do que suas congêneres de outros países latino-americanos.
De volta à Bolívia. Quem chega a Santa Cruz e começa a assistir as grandes TVs locais, chega a ficar com medo. Nos programas em que os brancos ricos vertem sua baba reacionária contra Evo Morales, só se fala em “guerra civil”, “desobediência civil” e “autonomia”. O discurso que predomina na mídia dos “cambas” brancos e ricos dá a impressão de que o que ocorreu na Venezuela, por exemplo, ocorrerá na Bolívia em pouco tempo. O ódio da elite “cruceña”, no entanto, não nasceu com a chegada do índio Evo Morales ao poder.
Os “cambas” brancos e ricos – que não passam de um punhado que não dá dez por cento dos bolivianos – odeiam os “collas” desde sempre. Horrorizam-se com seus trajes típicos – por exemplo, das mulheres gordinhas, baixinhas, de pele escura, que usam xales com motivos indígenas, saias compridas e rodadas e chapéus-coco -, com suas bocas desdentadas, com seus narizes aduncos... Enfim, gente “feia”, para os brancos ricos da região da rica “Media Luna”. E horrorizam-se mais ainda ao ver o ministério de Evo Morales, majoritariamente composto por “collas despreparados”, no dizer da elite. O ódio deles, então, tem raízes históricas. A chegada de um dos objetos de sua execração ao poder apenas exacerbou um ódio que já existia, porém embebido em mero desprezo.
Mas há outros fatores para o ódio dos “cambas” brancos e ricos. Como alguns já devem ter adivinhado, é o dinheiro. Evo seguiu o exemplo de Hugo Chávez, que passou a canalizar o dinheiro do petróleo que abunda em seu país para lograr feitos como extinguir o analfabetismo na Venezuela depois de décadas em que a elite branca de lá chegava a usar esse dinheiro até para importar água mineral de Miami, ou o exemplo de Lula, que despertou o ódio da elite brasileira ao adotar medidas que estão levando negros e índios às universidades e permitindo que famílias pobres se alimentem, vistam-se e vivam melhor graças a programas como o “Bolsa Família” ou o “Luz Para Todos”.
A exígua elite boliviana contava com o referendo de dezembro do ano passado sobre a “autonomia departamental”, ou seja, autonomia econômica e administrativa de cada um dos nove Estados do país. Esse referendo foi proposto pelo presidente anterior, Carlos Mesa, para ocorrer no fim de 2006. A tal “autonomia” teria o condão de manter em Santa Cruz os recursos que Evo vem “torrando” com os “collas”, que são, apenas, três quartos dos bolivianos. O que aconteceu: por margem apertada, a “autonomia” venceu nas regiões da “Media Luna”, mas perdeu no conjunto da Bolívia. Ainda assim, devido a peculiaridades da redação do referendo, seria possível alguns “departamentos” se tornarem autonômicos e outros não.
Antes de prosseguir, devo relatar um fato importantíssimo para a compreensão desse problema. A Bolívia tem hoje funcionando uma Assembléia Nacional Constituinte na capital do país, que, ao contrário do que se pensa, não é La Paz e, sim, Sucre. La Paz é apenas a sede do governo boliviano. Bem, o governo central não desrespeitou o resultado do referendo, ainda que na autonomia pretendida pelos “cambas” brancos e ricos estejam absurdos como uma espécie de “ministério de relações exteriores” para os “departamentos” autonômicos e outras sandices pretendidas por eles que significariam a virtual separação da região da “Media Luna” do resto da Bolívia. Evo apenas determinou que a regulamentação da autonomia terá que ser feita pela Assembléia Nacional Constituinte. Supõe-se, por óbvio, que não se trata de nenhum absurdo pretender que uma medida dessa magnitude passe por um conclave de parlamentares constitucionais eleitos para redigir a nova Constituição do país.
Os “cambas” brancos e ricos não aceitam. Começaram a falar, ensandecidos, em “guerra civil” e em “desobediência civil”, o que seja, os governos da “Media Luna” não repassarem impostos ao governo central e desobedecerem suas determinações. Para que se tenha uma idéia da surto alucinado que tomou conta dessa gente, chegaram a ir aos EUA para tentarem falar com o presidente George Bush. Obviamente que não foram recebidos pelo simples fato de que o povo boliviano elegeu Evo Morales para representá-lo. Depois foram à ONU e também deram com a cara na porta.
A tal “guerra civil” que pretendem os “cambas” brancos e ricos, no entanto, não passa de balela. Apesar de terem conseguido que alguns de seus serviçais “collas” os ajudassem a vencer o referendo sobre a autonomia – mas não a eleição dos constituintes – por margem apertadíssima, eles não têm condições de desencadear as grandes, porém amplamente minoritárias, passeatas da elite venezuelana. Aliás, se conseguissem provocar a tal guerra civil, seriam trucidados. As forças armadas bolivianas são compostas, obviamente, pelos odiados “collas” e não estão nem aí para os xiliques das madames “cambas”, que agora se congregaram num grupo de peruas que se auto-intitula “Mujeres de Septiembre”, que promove manifestações de meia dúzia de gatos pingados e brada contra o “comodismo” da maioria esmagadora dos “cambas”, que não lhes engrossa os atos contra o governo.
Este texto tem por objetivo levar ao Brasil um pouco da realidade latino-americana que estou acompanhando de perto e cada vez mais graças ao meu trabalho, que é percorrer a América Latina de ponta a ponta para vender meus produtos. Em nosso país sabemos muito pouco sobre nossos vizinhos porque à mídia não interessa a integração latino-americana. Dividir para governar é o lema da oligarquia latino-americana. Ações no sentido da que empreendi nesta viagem têm o sentido de diminuir a verdadeira censura que os oligarcas da mídia brasileira nos impõem. Talvez eu não faca diferença, mas estou tentando fazer minha parte. Se vocês quiserem, façam a vossa. Como? Por exemplo, difundindo este texto. ( Escrito por Eduardo Guimarães - edu.guim.blog.uol.com.br)
Escrevo de Santa Cruz de la Sierra, quase ao fim de uma viagem de duas semanas. Nos últimos dez dias, aproveitei o tempo livre de que pude dispor para assistir programas de TV sobre política, ler jornais, ouvir pessoas, ir aos bairros pobres da periferia de Santa Cruz (no fim de semana), enfim, aproveitei esta viagem para me aprofundar ao máximo numa questão que chega ao Brasil de forma extremamente deturpada e/ou mutilada em razão dos mesmos interesses obscuros que têm feito com que uma parcela exígua dos bolivianos, a elite, venha dando um show ridículo de burrice, de intolerância e de egoísmo que beiram a bestialidade, por mais branca, instruída e rica que essa elite seja.
A elite, a mídia e o grande empresariado bolivianos estão tentando reproduzir o que seus congêneres venezuelanos vêm fazendo há anos na Venezuela, ou seja, tentam derrubar ou, na pior das hipóteses, paralisar um governo democraticamente eleito e que apenas tenta pôr fim à miséria de dar dó em que vivem índios que constituem a quase totalidade da população boliviana.
Alguns fatos sobre a Bolívia que é preciso saber para bem entender o que se passa aqui. Este é o país mais pobre da América do Sul. Os índios quéchuas, aymarás e outros, mais uma boa parcela de mestiços, constituem uns 90% da população. Destes, outros 90% vivem, em grande parte, na pobreza, e a maior parte, na miséria. Um contingente expressivo dos índios bolivianos ganha cerca de um dólar por dia. A maior parte dos índios não tem rede de esgoto, educação minimamente aceitável e padece de doenças que desapareceram na maioria dos países de civilização média. A maioria indígena está concentrada em cidades da Cordilheira dos Andes como La Paz, Sucre, Cochabamba, Oruro, Potosi etc.
Os habitantes indígenas das cidades do Altiplano (da Cordilheira) são conhecidos como “collas”, e os da planície, da região conhecida como “Media Luna” (constituída por Santa Cruz de la Sierra, Pando, Tarija e Beni), são conhecidos como “cambas”. Há uma rivalidade crescente e explosiva entre “collas” e “cambas”. Eles se odeiam, ainda que muitos indígenas vivam na região da “Media Luna” segregados, sem direitos, oprimidos e odiados. Os “cambas” dividem-se entre uma minoria branca e rica, majoritariamente descendente dos conquistadores espanhóis que não se miscigenaram com os quéchuas, aymarás e outros, e os índios (“collas”) submissos que formam um enorme exército de serviçais dos ricos da região de Santa Cruz. Os “cambas” índios e mestiços, em grande parte, votam e emulam os discursos de seus patrões, mas, muitas vezes, da boca para fora, como mostram os resultados eleitorais das eleições mais recentes, nas quais os “cambas” índios e pobres dividiram-se, pendendo levemente para as posições políticas da elite.
Logo nos primeiros dias aqui em Santa Cruz passei a acompanhar com grande atenção a mídia local. Os grandes canais de TV e o principal jornal da direita branca e rica, tais como as TVs Unitel, do grupo agropecuário Monastérios, Red Uno, do grupo de supermercados Kuljis, Sitel, da cervejaria dos Fernandez, Pat, do grupo dos Daher (distribuidores Sony na Bolívia) e o jornal El Dia. Foi aí que me dei conta de que a América Latina está submetida toda ao mesmo processo, no qual as elites midiáticas dos países da região - todos transbordando de pobreza e desigualdade - tentam, valendo-se do controle que exercem sobre os meios de comunicação, impedir que as grandes massas mestiças, negras e índias, mantidas na ignorância, na pobreza extrema e vivendo em condições indignas, votem em causa própria, elegendo governos comprometidos com a promoção de distribuição de renda e de oportunidades.
Uma digressão : o que vemos fazer a mídia brasileira não chega a ser um décimo do que fazem as mídias de países nos quais foram eleitos governos dispostos a enfrentar as elites e suas mídias com maior decisão. São países como Bolívia, Venezuela, Equador etc, os quais venho visitando há mais de uma década. Porém, assim mesmo, posso garantir que o Brasil está trilhando o mesmo caminho que eles. Só que, devido a ser um país muito mais complexo e devido ao fato de que Lula parece ter optado por uma transformação mais lenta e contemporizadora, a mídia brasileira, por incrível que possa parecer, porta-se com maior comedimento do que suas congêneres de outros países latino-americanos.
De volta à Bolívia. Quem chega a Santa Cruz e começa a assistir as grandes TVs locais, chega a ficar com medo. Nos programas em que os brancos ricos vertem sua baba reacionária contra Evo Morales, só se fala em “guerra civil”, “desobediência civil” e “autonomia”. O discurso que predomina na mídia dos “cambas” brancos e ricos dá a impressão de que o que ocorreu na Venezuela, por exemplo, ocorrerá na Bolívia em pouco tempo. O ódio da elite “cruceña”, no entanto, não nasceu com a chegada do índio Evo Morales ao poder.
Os “cambas” brancos e ricos – que não passam de um punhado que não dá dez por cento dos bolivianos – odeiam os “collas” desde sempre. Horrorizam-se com seus trajes típicos – por exemplo, das mulheres gordinhas, baixinhas, de pele escura, que usam xales com motivos indígenas, saias compridas e rodadas e chapéus-coco -, com suas bocas desdentadas, com seus narizes aduncos... Enfim, gente “feia”, para os brancos ricos da região da rica “Media Luna”. E horrorizam-se mais ainda ao ver o ministério de Evo Morales, majoritariamente composto por “collas despreparados”, no dizer da elite. O ódio deles, então, tem raízes históricas. A chegada de um dos objetos de sua execração ao poder apenas exacerbou um ódio que já existia, porém embebido em mero desprezo.
Mas há outros fatores para o ódio dos “cambas” brancos e ricos. Como alguns já devem ter adivinhado, é o dinheiro. Evo seguiu o exemplo de Hugo Chávez, que passou a canalizar o dinheiro do petróleo que abunda em seu país para lograr feitos como extinguir o analfabetismo na Venezuela depois de décadas em que a elite branca de lá chegava a usar esse dinheiro até para importar água mineral de Miami, ou o exemplo de Lula, que despertou o ódio da elite brasileira ao adotar medidas que estão levando negros e índios às universidades e permitindo que famílias pobres se alimentem, vistam-se e vivam melhor graças a programas como o “Bolsa Família” ou o “Luz Para Todos”.
A exígua elite boliviana contava com o referendo de dezembro do ano passado sobre a “autonomia departamental”, ou seja, autonomia econômica e administrativa de cada um dos nove Estados do país. Esse referendo foi proposto pelo presidente anterior, Carlos Mesa, para ocorrer no fim de 2006. A tal “autonomia” teria o condão de manter em Santa Cruz os recursos que Evo vem “torrando” com os “collas”, que são, apenas, três quartos dos bolivianos. O que aconteceu: por margem apertada, a “autonomia” venceu nas regiões da “Media Luna”, mas perdeu no conjunto da Bolívia. Ainda assim, devido a peculiaridades da redação do referendo, seria possível alguns “departamentos” se tornarem autonômicos e outros não.
Antes de prosseguir, devo relatar um fato importantíssimo para a compreensão desse problema. A Bolívia tem hoje funcionando uma Assembléia Nacional Constituinte na capital do país, que, ao contrário do que se pensa, não é La Paz e, sim, Sucre. La Paz é apenas a sede do governo boliviano. Bem, o governo central não desrespeitou o resultado do referendo, ainda que na autonomia pretendida pelos “cambas” brancos e ricos estejam absurdos como uma espécie de “ministério de relações exteriores” para os “departamentos” autonômicos e outras sandices pretendidas por eles que significariam a virtual separação da região da “Media Luna” do resto da Bolívia. Evo apenas determinou que a regulamentação da autonomia terá que ser feita pela Assembléia Nacional Constituinte. Supõe-se, por óbvio, que não se trata de nenhum absurdo pretender que uma medida dessa magnitude passe por um conclave de parlamentares constitucionais eleitos para redigir a nova Constituição do país.
Os “cambas” brancos e ricos não aceitam. Começaram a falar, ensandecidos, em “guerra civil” e em “desobediência civil”, o que seja, os governos da “Media Luna” não repassarem impostos ao governo central e desobedecerem suas determinações. Para que se tenha uma idéia da surto alucinado que tomou conta dessa gente, chegaram a ir aos EUA para tentarem falar com o presidente George Bush. Obviamente que não foram recebidos pelo simples fato de que o povo boliviano elegeu Evo Morales para representá-lo. Depois foram à ONU e também deram com a cara na porta.
A tal “guerra civil” que pretendem os “cambas” brancos e ricos, no entanto, não passa de balela. Apesar de terem conseguido que alguns de seus serviçais “collas” os ajudassem a vencer o referendo sobre a autonomia – mas não a eleição dos constituintes – por margem apertadíssima, eles não têm condições de desencadear as grandes, porém amplamente minoritárias, passeatas da elite venezuelana. Aliás, se conseguissem provocar a tal guerra civil, seriam trucidados. As forças armadas bolivianas são compostas, obviamente, pelos odiados “collas” e não estão nem aí para os xiliques das madames “cambas”, que agora se congregaram num grupo de peruas que se auto-intitula “Mujeres de Septiembre”, que promove manifestações de meia dúzia de gatos pingados e brada contra o “comodismo” da maioria esmagadora dos “cambas”, que não lhes engrossa os atos contra o governo.
Este texto tem por objetivo levar ao Brasil um pouco da realidade latino-americana que estou acompanhando de perto e cada vez mais graças ao meu trabalho, que é percorrer a América Latina de ponta a ponta para vender meus produtos. Em nosso país sabemos muito pouco sobre nossos vizinhos porque à mídia não interessa a integração latino-americana. Dividir para governar é o lema da oligarquia latino-americana. Ações no sentido da que empreendi nesta viagem têm o sentido de diminuir a verdadeira censura que os oligarcas da mídia brasileira nos impõem. Talvez eu não faca diferença, mas estou tentando fazer minha parte. Se vocês quiserem, façam a vossa. Como? Por exemplo, difundindo este texto. ( Escrito por Eduardo Guimarães - edu.guim.blog.uol.com.br)
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Novo espaço cultural
A cidade de Divinópolis terá um novo espaço cultural. Será no Mercado Municipal. Um projeto prevê a realização de exposições e apresentações artísticas. A idéia é revitalizar o local e torná-lo um espaço alternativo de arte e cultura para a cidade. Começa hoje à tarde, a partir das 16h, com o lançamento do primeiro CD de Pedro Flora. Além de várias apresentações musicais ficará em exposição nesse final de semana as fotografias de Evandro Araújo e pinturas de frei Handag, cujas peças foram tombadas pelo patrimônio do município.
MST propõe criação de agrovilas
A proposta de reforma agrária que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende discutir com o governo federal e com a sociedade brasileira prevê a criação de agrovilas: a implementação de micro-cidades em assentamentos rurais com uma infra-estrutura que permita a interação entre homem, trabalho e meio ambiente.Segundo Maria de Fátima Ribeiro, da coordenação nacional do MST, as agrovilas representam a possibilidade de fixar os jovens no campo. O projeto foi desenvolvido por arquitetos, a partir de parcerias entre o movimento e universidades. "A idéia é massificar, dar moradia ao homem do campo, permitindo que a juventude não precise se mudar para os centros urbanos".
Ribeiro diz que as agrovilas funcionariam como pequenas cidades com infra-estrutura básica, como saneamento, posto médico, escola, etc. Além disso, haveria espaço para esporte, lazer e atividades culturais. A construção das casas seria feita em local que permitisse uma ligação direta com as áreas de cultivo, respeitando a vegetação e as fontes de água.
As ações coletivas serviriam para integrar a comunidade nas agrovilas. “A idéia é incentivar formas de cooperação, como mutirões, criação de associações e cooperativas, e realizar programas de lazer, cultura e esporte”. De acordo com ela, algumas agrovilas já foram construídas no Nordeste. “Essas experiências têm se mostrado um sucesso”.(Fonte http://www.pt.org.br/)
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Miséria dos pobres - O egoísmo dos ricos

Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva.Escrito por Flávio Aguiar - da Carta Maior.
Passei um mês fora do Brasil, e me esqueci, por causa daquelas correrias, de pedir a transferência dos jornais entregues por assinatura para o endereço de uma das minhas filhas. Resultado: como a faxineira que freqüenta minha casa é muito diligente e respeitadora, lá estavam eles – os jornais – convenientemente empilhados, aliás, gigantescamente empilhados. O folhear daquela pilha passadiça me confirmou a impressão que eu tivera pela internet. Os deserdados do segundo turno de outubro de 2006 continuam na ativa – ainda que deserdados, é verdade. Não há o que fazer, para eles, a não ser CPIs, e procurar ataques à probidade do presidente. Não há programas a apresentar, idéias a debater. Só a moral do presidente interessa, e só a do presidente e de seus arredores.
Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva, irmão mais velho do mandatário da nação. Esse personagem chama-se Vavá. Vavá está em toda a parte, Vavá é o band-aid da falta de assunto, Vavá é imorredouro, Vavá é tudo e é nada, é lobista e é ingênuo, é um vírus e é o inocente-útil, é falastrão e é calado, tudo depende da manchete e da notícia. Vavá é melhor do que Roberto Jefferson: ao contrário deste, Vavá quase nada parece ter a dizer. Então pode se lhe atribuir tudo. Vavá ligou para o presidente. O outro irmão do presidente ligou para Vavá. Aliás, não se sabe se foi propriamente o irmão, só se sabe ao certo que o telefonema partiu de um telefone da família, e que provavelmente a voz em questão deve ser desse outro irmão.
É uma novela de suposições. Provas, investigação jornalística, muito pouco há. Há ilações a partir de fragmentos de relatórios e inquéritos, de conjeturas e suposições. Mas de tudo se pode tirar uma conclusão segura. O que interessa mesmo é mostrar como Vavá (o personagem, do irmão de Lula, pelo noticiário, pouco sei), esse Vavá, é canhestro, é desajeitado, como ele parece ter feito lobby sem saber fazer lobby. Lobby, afinal, é coisa de gente fina. Pobre faz lobby? Não, responde esse noticiário grotesco. Pobre pede. É diferente. A conclusão dessa leitura acumulada é uma só: é nisso que dá por alguém “do povo” no Palácio do Planalto. É que nem casamento: os noivos não casam só um com a outra, ou com o outro, ou uma com a outra, nestes novos tempos (felizmente) mais abertos que o Brasil vive; os noivos casam com as respectivas famílias também. E vejam no que dá fazer a família de pobre (e petista ainda por cima!) chegar à rampa do Palácio. Dá lobby? Não, não só. Dá ridículo, dá vergonha, é isto que o noticiário exala. Pobre é desajeitado, quando fala se lambuza de palavras e de poder, vejam só!
Enquanto isso, o país vai melhor. Em muitas coisas, em outras não, é claro. A economia vai melhor, o povo vai melhor, muito melhor do que nunca esteve, pelo menos desde os tempos dos finados doutores Getúlio e Juscelino. O dólar baixa, o poder aquisitivo cresce, as famílias tem mais dinheiro para gastar (há economistas preocupadíssimos com isso), o euro nunca esteve tão baixo em relação ao real, a economia se aquece aqui e ali, ou seja, há um país inteiro a decifrar: que pauta! Mas as esfinges do nosso jornalismo ímpares só têm uma pergunta a se fazer: como impedir daqui para frente que o povo possa imaginar que um deles – ou mesmo um que governe em nome deles, por eles e para eles – possa permanecer impune, imune, no Palácio do Planalto. Flávio Aguiar é editor-chefe da Carta Maior.
A Grande Mídia quer ver o país na miséria. Ela é a grande culpada pelas "crises" no país. Meia dúzia de empresários da imprensa quer dominar os destinos da nação brasileira.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Brasil entre os melhores
Com o PIB e renda maiores, país chega ao primeiro mundo na área social.
Reportagem do Terra Magazine, publicada hoje, destaca que o Brasil já entrou no seleto grupo dos 63 países com "alto desenvolvimento humano". Isto ocorre em função da melhora do índice do PIB brasileiro e da renda per capita, como também do avanço dos programas sociais como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo (hoje em 200 dólares)e do continuado avanço na universalização da educação básica.
Com a criação de quase 5 milhões de novos empregos formais, a renda dos mais pobres cresceu e ampliou o acesso a alimentos e remédios, dando um impacto direto no aumento da longevidade(estimativa do número de anos que vão viver, em média, as pessoas nascidas em um determinado ano), que segundo o IBGE é de 71,9 anos.
O IDH é uma espécie de nota de zero a um, que avalia a qualidade de vida em 177 países, com base nos critérios de renda, escolaridade e longevidade da população.
O cálculo do IDH é um dos mellhores parâmetros de avaliação da eficácia das políticas públicas. Ele mostra que o Brasil está avançando. Se a miséria não foi eliminada, é cada vez menor seu peso relativo no conjunto da sociedade.
Reportagem do Terra Magazine, publicada hoje, destaca que o Brasil já entrou no seleto grupo dos 63 países com "alto desenvolvimento humano". Isto ocorre em função da melhora do índice do PIB brasileiro e da renda per capita, como também do avanço dos programas sociais como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo (hoje em 200 dólares)e do continuado avanço na universalização da educação básica.
Com a criação de quase 5 milhões de novos empregos formais, a renda dos mais pobres cresceu e ampliou o acesso a alimentos e remédios, dando um impacto direto no aumento da longevidade(estimativa do número de anos que vão viver, em média, as pessoas nascidas em um determinado ano), que segundo o IBGE é de 71,9 anos.
O IDH é uma espécie de nota de zero a um, que avalia a qualidade de vida em 177 países, com base nos critérios de renda, escolaridade e longevidade da população.
O cálculo do IDH é um dos mellhores parâmetros de avaliação da eficácia das políticas públicas. Ele mostra que o Brasil está avançando. Se a miséria não foi eliminada, é cada vez menor seu peso relativo no conjunto da sociedade.
terça-feira, 12 de junho de 2007
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